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Waimiris-Atroaris em pé-de-guerra contra a liberação de passagem 24 horas, em trecho da BR 174

09/09/13 – A ameaça de uma manifestação da população de Roraima pela liberação da passagem pela BR 174, na altura da reserva Waimiri-Atroari 24 horas por dia põe os indígenas em pé de guerra. Os Waimiri-Atroari se negam a retirar uma corrente que impede o trânsito, após as seis da tarde, no local; garantem que qualquer manifestação será rechaçada e descartam qualquer possibilidade de liberação da passagem.

Neste final de semana, o líder Waimiri-Atroari Carapanã-Atroari concedeu uma entrevista exclusiva à CBN Manaus e garantiu ao radialista Robson Tiradentes que os indígenas estão preparados e armados para defender o território deles, e que a corrente não será retirada.

“Nós estamos aqui, armados, desde o final de semana, depois das informações que nós recebemos de que o povo de Roraima está se manifestando para retirar a corrente, no início da nossa reserva. Já faz muito anos que eles vêm lutando para retirar a nossa corrente. A gente não vai retirar a nossa corrente, porque isso é a principal defesa do povo Waimiri-Atroari.”

De acordo com o líder Carapanã-Atroari os indígenas não pretendem permitir qualquer manifestação. “Se for aqui dentro, nós não vamos ter que regir!”

Segundo Carapanã-Atroari, os índios estão apenas defendendo o que pertence a eles. “Nós temos o direito de defender o que é nosso. Como todo cidadão sabe, ninguém gosta que perturbam sua casa. A mesma coisa é aqui dentro!”

O líder indígena afirmou que não há nenhuma possibilidade de abrir a reserva. “Nós não vamos permitir, devido ao grande número de atropelamentos de animais. Todo final de mês, chegam mais de 4 mil animais atropelados aqui no trecho, ao longo dos 123 quilômetros da reserva.”

O líder indígena reafirmou que, se os Atroaris precisarem defender o território deles, haverá luta. “Essa nossa corrente sempre vai existir! E isso aqui vai levar luta. Muitos anos!”

Ele confirmou o aliciamento de índígenas menores de idade por caminhoneiros e manifestou o temor de isso possa continuar acontecendo, se a passagem for liberada.

“Isso a gente não permite que aconteça aqui dentro! Mas já aconteceu. Aqui dentro, foi ‘pegado’ um menino. O caminhoneiro deixou ele a 3km da sua mãe.  E isso pode continuar acontecendo, se a gente liberar a corrente.”

Carapanã-Atroari negou a liberação da passagem de gringos, após as 18 horas. “Não existe isso! O horário é das 06h30 às 22h00 é para carga perecível. O restante é liberado para ‘carga’ de passageiros, que é o ônibus.”

Os Waimiri Atroari ainda são considerados arredios ao contato com os não- índios. Na década de 1960, chefiados pelo cacique Maruaga, os Waimiri-Atroari dizimaram os onze integrantes de uma expedição de não-índios, comandada pelo padre João Calleri, encarregado de afastar os índios da BR 174, num rumoroso caso que teve repercussão em todo o país.

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