Andréa Vieira
Redação Rede Tiradentes
Após 12 anos dos ataques terroristas que destruíram as torres gêmeas do World Trade Center, na cidade de Nova Iorque (EUA), no ano de 2001, as vidas das famílias de mais de três mil vítimas do maior e mais ousado ataque terrorista de que se tem notícia, continuam, mas nunca mais foram as mesmas.
Na manhã daquele 11 de setembro, 19 homens ligados à rede terrorista Al Quaeda sequestraram quatro aviões comerciais com passageiros e usaram dois deles para atingir um dos principais cartões-postais novaiorquinos, símbolo do capitalismo moderno.
Quem estava no país, no dia dos atentados, relembra o desespero que se instalou no ar. Pessoas gritando, correndo, chorando, ansiosas e em busca de informações sobre vítimas, em todo o país.
O argentino Juan Carlos Barrientos, que hoje leva uma vida tranqüila e pacata em Manaus, conta que, na época da tragédia, trabalhava à noite como auxiliar de serviços gerais, em um restaurante cubano, no charmoso bairro Miami Beach, no condado de Miami-Dead, no Estado da Flórida. Ele relembra o apuro por que passou, ao ser mantido preso, em seu próprio apartamento, pela polícia americana, por ser estrangeiro e consequentemente ser incluído na rede de suspeitos da rede terrorista.
“Eu estava dormindo, quando fui acordado pela gritaria das pessoas, que corriam desesperadas, tentando se proteger em casa. Tive a impressão que o mundo ia acabar. A água e a luz foram cortadas, para evitar que os estrangeiros que moravam no prédio fugissem ou tentassem alguma coisa contra os americanos. A polícia passou interditando todos os apartamentos e revistando as pessoas. Com um computador, os policiais verificavam quem tinha antecedentes criminais e quem tinha autorização para permanecer em solo americano. Foi desesperador! Ninguém podia entrar ou sair de casa.”, relembra Juan.
Salvo por estar dentro do prazo de permanência nos EUA, Juan Carlos revela que o nervosismo tomou conta dele, até o momento em que a filha, Sophia Barrientos, que tem cidadania americana, telefonou e pediu p’ra ele manter a calma, pois nada iria acontecer. “Mesmo assim, tive muito medo, por ser estrangeiro. Os policiais nos abordavam com gritos e muita agressividade.”, destaca Barrientos.
Sanduíche, água e maçã
Dezoito foram os dias detido na própria casa e que mudaram a vida de Juan. “Desde que os policiais passaram colocando trancas nas casas de quem não era americano, ficamos sem poder colocar o nariz pra fora! Todos os dias eles passavam de manhã, de tarde e à noite para entregar um sanduíche, uma maçã e uma garrafa de água, que nos mantiveram vivos até o último dia de interdição. Só tinham direito à liberdade os americanos de fato e os de direito. Como minha filha é cidadã americana, ela tinha autorização para levar outros alimentos pra mim.”
Lembrança mais forte
Para o estrangeiro, a lembrança que mais marcou aquela data foi no momento em que os policiais bloquearam as saídas, as luzes e o abastecimento de água foram interrompidos e os latinos que moravam no prédio ficaram muito nervosos. “Tive a sensação que iam me prender e que eu ia parar na penitenciária por algo que eu não havia feito. O ataque aconteceu em Nova Iorque, mas repercutiu em todos os Estados Unidos, sendo que, em Miami, o número de latinos é muito grande. Tive medo, muito medo de ser maltratado e até de morrer. Lembro que vi um italiano ser preso por 30 dias, ser maltratado, e depois deportado pro seu país debaixo de humilhação.”, revela
Depois dos 18 dias detido, Juan perdeu o emprego, as coisas começaram a ficar difíceis e ele foi obrigado a voltar para Buenos Aires, capital da Argentina. Um mês depois, Juan aterrissou em Manaus, onde mora até hoje.
Homenagens
Os ataques às Torres Gêmeas mataram todos que estavam nas aeronaves e muitos dos que trabalhavam nos edifícios. Ambos os prédios desmoronaram em duas horas, destruindo construções vizinhas e causando outros danos. O terceiro avião de passageiros caiu contra o prédio do Pentágono, em Arlington, Virgínia, nos arredores de Washington.
Hoje, o dia é de homenagens às vítimas. No jardim da Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao lado da esposa, Michelle, fizeram um minuto de silêncio.
