O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, fez, nesta quarta-feira (18), um balanço da administração dele, durante o ano.
Em entrevista à Rede Tiradentes de Rádio e Televisão, o prefeito começou falando sobre a mudança do secretariado e sobre o relacionamento estremecido com o vice-prefeito Hissa Abrahão. Sobre a demissão da Secretaria Municipal da Infraestrutura, com a calma tradicional do diplomata, Arthur disse que Hissa não nasceu secretário.
“Ele não nasceu secretário de coisa alguma! Ele foi eleito comigo vice-prefeito e tem o dever constitucional de me substituir, quando eu viajar. Eu não era obrigado a nomeá-lo a nada. Eu o nomeei para uma secretaria de enorme visibilidade como a de Infraestrutura. Agora, ele não é mais secretário, e, como dizem os italianos, ‘la nave va’ – a nave continua.”
O prefeito disse que quer técnicos na administração dele e que já tinha avisado sobre a saída aos que quisessem ser candidatos.
“Eu desde meses atrás que falo: quem for candidato a alguma coisa, não fica no meu governo, a partir de 30 de dezembro, porque o meu problema é gestão e não eleição. Gestão de Manaus. O meu governo é feito para quem quer ficar na equipe, de maneira coesa, e quer prestar os serviços a Manaus, sem olhar qualquer outro interesse, então eu quero, agora, técnicos.”
O prefeito reafirmou que a candidatura de Hissa não terá o apoio dele.
“Eu disse a ele que considera que ele teria que maturar mais, se preparar mais, amadurecer mais. Teria, no fundo, que dar uma ‘envelhecididanha’ mais, pegar uns cabelos brancos para poder tomar atitudes moderadas. Tenho muito apreço por ele, muito carinho por ele, por sua família, mas, para ser meu candidato a governador, precisa de algumas coisas a mais e algumas coisas diferentes. Algumas coisas outras.”
Arthur voltou a afirmar que, se alguém tivesse de ser candidato do grupo a governador, seria ele.
“Se alguém tivesse de ser candidato aqui, seria eu, com os índices de pesquisa que tenho, o nome consolidado que tenho. Não sou e não sou precisamente porque entendo que seria uma traição a Manaus, um desrespeito à cidade que me deu quase 70% dos votos. Eu não sou candidato por ser candidato!”
Segundo Arthur, a temporada de troca de secretários ainda não acabou e, quem não cumprir metas, não fica.
“Esse ano, a coisa vai ser mais dura, porque a gente trocou alguns. Dia 20 nós temos uma reunião, então, estou pedindo aos secretários que me deem as metas deles para discutirem comigo. Se eu achar que a meta é pouca, ele já não fica dia 21 como secretário. Já tiro no dia 20, mesmo. Se eu achar que a meta é demais, digo ‘olha o que você está assumindo comigo. Se você não cumprir essa meta, você sai!’ Eu quero realismo e 100% das metas cumpridas! Eu quero gerir Manaus bem no financeiro, no administrativo e no político!”
O prefeito elogiou a atuação dos vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM), que este ano, apesar de uma agenda complicada, entenderam o que era bom para Manaus e deram apoio quase integral a administração dele.
Arthur disse, ainda, que vem cobrando qualidade e pressa na conclusão das obras que vem sendo executadas na capital.
“Agente pressiona as empresas. As empresas inventam que não dá para concluir até 31 de dezembro. Eu digo que tem que concluir, sim! E ficamos ali. Percorremos, todos os dias, as frentes de obras e vamos abrir a Ponta Negra no prazo antes do marcado. Era 24, agora será 22.”
Sobre a recuperação das ruas nos bairros, Arthur afirmou que muita coisa já foi feita, mas que ainda há muito o que fazer.
“Fizemos tapa buracos em cerca de oito mil ruas, os bairros e tapa buracos; fizemos muito recapeamento. Temos feito muita coisa nos bairros, sim! Com as finanças organizadas e muitos dos corredores viários resolvidos, a gente, daqui pra frente, vai ‘de pau’, em cima dos bairros. Seja na manutenção, durante o inverno; seja poupando dinheiro e aplicando muito fortemente nos bairros, no período de sol.”
Segundo Arthur, os gastos com asfalto são altos e tudo com dinheiro do caixa da prefeitura.
“Incluindo o trevo inteligente da Torquato, acredito que, até maio, a gente terá investindo uns R$ 400 e tantos milhões. Tudo do caixa da prefeitura. Nenhum centavo do Governo Federal.”
Sobre possíveis articulações visando o Governo do Estado, o prefeito que negou que tenha tido um encontro com o pré-candidato do PMDB, Eduardo Braga, para falar sobre o assunto e, sim, uma reunião de trabalho.
“Trabalho, sim! Ele meu conta de que fez uma emenda de R$ 8 milhões; conseguiu aumentar para R$ 15 milhões, e estamos esperando que ela venha! Eu tenho uma relação normal com o senador Eduardo Braga, com os senador Alfredo Nascimento, com a senadora Vanessa Grazziotin, que foi minha adversária em duas eleições; com todos, acredito. Não me lembro de nenhum que tenha problemas pessoais comigo. Eu procuro trabalhar trânsito. Entendo que política é agregar, não é fazer politicagem, cooptar, mas ‘ciscar para dentro’. É procurar sedimentar passo seguros na direção de uma cidade que o povo merece!”
O prefeito confirmou a vinda do embaixador inglês a Manaus, no ano que vem, para desfazer a imagem negativa da cidade, resultante das declarações do técnico da seleção britânica sobre a capital.
Arthur garantiu um reajuste para o servidor municipal, neste final de ano, mas disse que a prioridade é o plano de cargos carreiras e salários.
“Isso é que estimula inclusive a qualidade do serviço, porque dá perspectiva de carreira. A gente vai fazendo aos pouquinhos e teremos, sim, o reajuste! Não será uma coisa fantástica porque a gente vê que o Governo Federal não consegue dar nem a inflação. A gente deu mais do que a inflação, no ano que entrei e pretendemos fazer algo parecido, mas ainda não tenho os números.”
Pela manhã, o prefeito participou da cerimônia de posse do conselheiro Josué Cláudio de Souza Filho, na presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
