
O presidente Michel Temer entrou com uma ação por calúnia, injúria e difamação contra o dono da JBS, Joesley Batista, na 12ª Vara Federal de Brasília. O motivo é a entrevista concedida pelo empresário à revista “Época”, na qual acusa Temer de chefiar “a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil”. Joesley contou que Temer não fazia cerimônia para pedir dinheiro em nome do PMDB e que o presidente articulava uma campanha para estancar a operação Lava-Jato.
Segundo a defesa do presidente, o empresário teria se baseado “em informações falsas, criadas com o único e exclusivo propósito de abalar a credibilidade do presidente da República”. Ainda segundo a ação, Temer “é homem honrado, com vida pública irretocável, respeitado no meio político e jurídico” e que, durante toda a vida pública, “nunca, jamais sofreu qualquer condenação judicial, ou mesmo foi acusado formalmente de obter qualquer vantagem indevida”.
No domingo, depois da publicação da entrevista, Temer já havia anunciado que processaria Joesley pelas “mentiras” declaradas à revista. Em nota pública, o Palácio do Planalto chamou o empresário de “bandido notório”.
O empresário gravou uma conversa que teve com Temer no Palácio do Jaburu. Na avaliação da Procuradoria-Geral da República, o empresário afirma que pagava propina ao ex-deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e ao operador Lúcio Funaro. Temer teria dado a anuência à mesada. O áudio está sendo periciado pela Polícia Federal.
A delação premiada de Joesley embasou a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar a conduta de Temer. Ele teria cometido crimes de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à justiça. A relatoria é do ministro Edson Fachin. A expectativa é de que a PGR apresente denúncia contra o presidente ao STF nos próximos dias.
