RÁDIO TIRADENTES | 89,7 MHz | AO VIVO

Talidomida em falta: Governo nega, mas pacientes com câncer não acham remédio

Câncer de medula óssea (mieloma múltiplo), HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, hanseníase, lúpus e alguns tipo de úlcera são tratadas com um medicamento de uso controlado, que está em falta nos postos de saúde: o Talidomida. Sua venda é proibida e ele só pode ser distribuído pelo Governo.

Talidomida acabou?

Pacientes com câncer que usam o Talidomida estão preocupados. O último lote do medicamento, produzido em 2014, tem vencimento para outubro de 2016 e os postos não receberam os novos lotes.

Segundo o Ministério da Saúde, não haveria risco de desabastecimento, já que o estoque tem cerca de 2 milhões de comprimidos ainda e os prazos de validade (outubro) serão reavaliados. Os Estados e municípios estão abastecidos até o final do mês de outubro e a nova remessa para novembro está para ser enviada, ainda segundo a pasta.

Pacientes, no entanto, têm uma versão diferente do Governo. Eles dizem que não encontram mais o medicamento nos postos e que são informados de que não há previsão para o reabastecimento. Rosa Amélia Dias Almeida, paciente com mieloma múltiplo, conta que foi informada por um funcionário que “falta matéria-prima para a fabricação do comprimido”, o que o Governo não confirma. Ela já foi aos postos do Glicério e do Belenzinho atrás da medicação, mas não encontrou em nenhum dos dois.

No caso de pacientes com mieloma múltiplo, que é um câncer de medula óssea com sintomas bastante agressivos, a falta da medicação pode acarretar em uma recaída, o que preocupa familiares.

Até a publicação desta matéria, o Ministério ainda não tinha retornado o questionamento sobre os locais que já estão em falta do medicamento, nem sobre a falta de informação dos postos de saúde.

Lote atual vence este mês

De acordo com a bula oficial da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o prazo de validade é de 24 meses a partir da fabricação, mas com a dificuldade de produção da Talidomida por parte do laboratório produtor, o Ministério da Saúde solicitou à Anvisa a extensão do prazo de validade dos seis lotes disponíveis.

“Para isso, já foram realizados testes de controle de qualidade dos medicamentos pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) e Anvisa. Os resultados dos testes foram satisfatórios”, informou a assessoria de imprensa do ministério.

Onde encontrar?

DIVULGAÇÃO/FUNED

A produção dele é realizada somente pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), de Minas Gerais, e sob responsabilidade do Ministério da Saúde, assim como sua distribuição, que só está disponível para os pacientes pela rede pública.

Ele não é comercializado e é liberado para as secretarias de saúde estaduais e municipais de acordo com a demanda. De acordo a cartilha do Ministério da Saúde sobre o medicamento, cada prescrição possui o tratamento máximo de 30 dias.

Então, não é possível retirar a medicação para uso fora desse período. Mas, no mês de outubro, a falta do medicamento foi registrada por diversos usuários. Existem outras produções do remédio por outras fábricas, mas não são registrados pela Anvisa.

Por que o Talidomida é controlado?

O sedativo começou a ser usado no mundo no final dos anos 50 e, na época, combatia sintomas de enjoo em grávidas. Mas, com o tempo observou-se que bebês começaram a nascer com má formação nos membros, a focomelia.

Pesquisas atribuíram o problema à medicação, que pode restringir o crescimento dos membros do bebê se usado durante o período crítico da gestação, entre 21 e 56 dias após a concepção. Então, ele foi tirado de circulação em 1962 no mundo todo.

Entretanto, foi reintroduzido nos anos 70 no Brasil e passou a ser de uso controlado desde 2003. Só é liberado para mulheres que usam duas formas de contraceptivo e aceitam fazer o teste de gravidez.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *