
A Igreja de Manaus esteve reunida na manhã desta quinta-feira (2/4), na Catedral Metropolitana de Manaus, como comunidade de fé, para celebrar a Missa Crismal, que nos insere no mistério da unção e do envio. A celebração solene foi presidida pelo arcebispo, Cardeal Leonardo Steiner, concelebrada pelos bispos auxiliares Dom Zenildo Lima, Dom Hudson Ribeiro, Dom Samuel Ferreira, e pelos eméritos Dom Luiz Soares, Dom Mário Pasqualotto e Dom Derek Byrne. Nesta, estiveram presentes cerca de 200 padres, dentre diocesanos e de congregações religiosas, atuantes na Arquidiocese de Manaus, que realizaram suas promessas sacerdotais, reafirmando o compromisso de servir a Jesus Cristo, sendo ungidos para estar a serviço do povo de Deus, testemunhando a misericórdia e conduzindo o rebanho ao encontro do Senhor.
Trata-se de uma cerimônia litúrgica realizada todos os anos, na manhã da Quinta-Feira Santa, em que os Santos Óleos (do Crisma, dos Catecúmenos e dos Enfermos), são abençoados para serem usados ao longo de todo o ano pelo clero ao ministrar os sacramentos do Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos, bem como nas dedicações dos Altares e dos Novos Templos. Os Cristãos, no Batismo e na Crisma, são consagrados como filhos e filhas de Deus, enviados como missionários para formar uma comunidade de congregados, professando juntos a mesma fé e celebrando sua Paixão, Morte e Ressurreição.
“De diferentes modos, todos nós, batizados, somos chamados a ser profetas, sacerdotes e reis, testemunhando com alegria o Evangelho da Vida e em Abundância. Que o Espírito do Senhor acompanhe os presbíteros da nossa Arquidiocese de Manaus, que, nesta Eucaristia, renovarão seus compromissos sacerdotais, reafirmando sua missão de anunciar a Boa-Nova aos pobres e aflitos e a missão que Deus os confiou nessa porção da Igreja que está na Amazônia”, declarou o leigo Bruno Braga durante o comentário inicial.
Inicialmente, o arcebispo afirmou o quanto foi bom ver tantos fieis reunidos na Catedral, representando todas as nossas mais de mil comunidades. Da mesma forma ver tantos presbíteros presentes para renovarem seu compromisso e promessas sacerdotais e também vivenciar o momento de invocação da bênção de Deus sobre o óleo dos catecúmenos, que serão usados naqueles que se tornam igreja, que serão revestidos de Cristo; sobre o óleo dos enfermos a ser usado na unção dos que padecem/sofrem pelas enfermidades; e também invocar o Espírito sobre o óleo para que Ele consagre o Santo Crisma e em momentos particulares e também importantes.
Na Homilia, cardeal Leonardo Steiner destacou a missão dos que são ungidos e enviados a anunciar o Reino de Deus, o amor de Deus para com todos, apresentado por Cristo que amou até a morte, e morte de cruz.
“E nós, como ungidos e enviados, pois recebemos o Espírito que nos ungiu e consagrou no Batismo e na Crisma, para levar a boa nova aos pobres, também nós proclamamos a libertação dos cativos e aos cegos a recuperação da vista, liberar os oprimidos e proclamar que somos todos participantes da graça. Todos nós, tomados pelo Espírito da Boa Nova, também nos levantamos e nos colocamos a caminho, pois uma igreja em saída anuncia a alegria daquele que venceu a morte e na morte deu-nos vida e vida em plenitude. Levantados, itinerantes e anunciar a todas as famílias, comunidades, casas e descasas, ruas, becos, caminhos, estradas, ramais e vicinais, periferias, comunidades e beirinhas nos condomínios abertos e fechados, o reino de Deus, planificado em Jesus Cristo, crucificado, ressuscitado”, explicou.
Mais que anunciar, Dom Leonardo alerta que é necessário fazê-lo com alegria como ensinou Papa Francisco. “Não anunciamos de maneira triste, ou de maneira neutra, mas expressamos a alegria. A alegria do hoje que se cumpriu a palavra que acabamos de ouvir. A alegria do Pai que não quer que se perca nenhum dos seus pequeninos. A alegria de Jesus ao ver que os pobres são evangelizados e que os pequeninos saem a evangelizar. A boa nova, o reino de Deus, a pérola preciosa do Evangelho que anunciamos e testemunhamos, como participantes de um amor desmedido”, declarou Dom Leonardo.
Aos padres atuantes na Arquidiocese de Manaus
Ao dirigir-se aos padres, o arcebispo de Manaus falou na renovação as promessas sacerdotais e a importância de estar disponível e em prontidão para o serviço ao povo de Deus confiado ao clero, nas diversas comunidades espalhadas pela região metropolitana de Manaus.
“Na celebração do Crisma todos os anos, renovamos as nossas promessas sacerdotais. Jesus, no Evangelho, nos convida a voltarmos à pequenina sinagoga da terra do nosso ser presbítero. Antes das promessas sacerdotais, no dia da nossa ordenação presbiteral, diante da comunidade, também nós nos levantamos e na disponibilidade e na prontidão, dissemos: eis-me aqui. Hoje reafirmamos nossa disponibilidade e nossa prontidão de estarmos a caminho, servindo o povo de Deus. Nos levantamos, percebendo-nos chamados pelo Espírito repousado sobre cada um de nós, percebendo-nos consagrados com as mãos ungidas, nos dispondo ao envio para proclamar a Palavra e servir a todos, servir a nossa igreja que está em Manaus. Como Jesus, nos levantamos e percorremos caminhos e descaminhos, veredas, matas, florestas, remamos rios e igarapés e anunciamos que se completou o tempo e o reino de Deus está próximo. Encarnou-se, transfigurou-se, realizou-se, personificou-se em Cristo crucificado, ressuscitado”, destacou
Dom Leonardo recorda a importância dos santos óleos, pois estes são usados para ungir aqueles que ingressam na comunidade de fé e se põe a caminho, em missão.
“O óleo que hoje abençoamos e consagramos é participação na consagração e unção de Cristo pelo Espírito Santo. Por isso invocaremos o Espírito Santo sobre o óleo, a unção que nos constitui testemunhas da salvação que Cristo nos trouxe, especialmente nós, queridos irmãos padres, nós fomos chamados para ungir e servir. Jesus nos envia como consolo e conforto”, enfatizou o arcebispo de Manaus.
Finalizou agradecendo aos padres e a todos que se colocam a serviço do povo de Deus, animando a missão, consolando os aflitos, ungindo doentes, curando as feridas, levando a misericórdia de Deus a quem precisa.
“Nós bispos, queremos hoje expressar a nossa gratidão a todos, aos diáconos, à Vida Consagrada, aos irmãos e irmãs, por ungirem o povo de Deus com a Palavra, com o amor, com o consolo, animando o povo de Deus, consolando o povo de Deus, sendo caridosos para com o povo de Deus. É que nós somos uma igreja sinodal em missão, pois todos fomos ungidos e enviados. Aos irmãos presbíteros que com disponibilidade ungem e animam o povo de Deus nas periferias, nas pequenas comunidades distantes, nas comunidades ribeirinhas, nas comunidades indígenas, a nossa gratidão. Aos presbíteros que servem e ungem os doentes e os mortos, aos necessitados e acolhem os irmãos e irmãs que vivem nas nossas ruas, consolam e curam as feridas da alma e do corpo. Aos presbíteros que, tocados pela palavra, se levantam a cada dia e anunciam o cumprimento das promessas, a gratidão de todo o povo de Deus. Deus abençoe, queridos padres, a vossa dedicação, a vossa atenção, a vossa gratuidade, o vosso amor. A nossa igreja sinodal, na disponibilidade da missão, visibilizamos o reino novo, pois os pobres são acolhidos, os feridos no corpo e no espírito são cuidados, os violentos são reconciliados e apaziguados, todos andam e recuperam a visão. Horizonte novo do ressuscitado. Então, na prontidão do envio, assumamos nossa vocação e missão, pois todos nós fomos revestidos de Cristo Jesus”, concluiu o arcebispo de Manaus.
Ao final da celebração, os padres presentes levaram para as suas paróquias os três óleos abençoados para serem usados ao longo do ano ao ministrarem os sacramentos.



