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Rituais religiosos na cabeceira do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes ameaçam segurança de vôos, em Manaus

oferenda

Perigo no ar!  O choque de aves com as turbinas de aviões, próximo ao Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, vem se tornando freqüente.

Na Avenida Frederico Baird, bairro Ponta Negra, área nobre na zona Oeste de Manaus, a publicitária Fabíola Melo se prepara para fazer o retorno, quando, de repente, …. o susto! Por pouco, não houve acidente! No meio da pista, um animal morto. Um bode, com a cabeça decepada. O sangue do animal, aparado numa tigela, também ficou no meio da rua. São os sinais de rituais religiosos, frequentes no local. “À noite, você não vê e, quando vai fazer o retorno, se depara com uma situação dessas. É complicado!”

A reportagem de Fábio Lima mapeou outros 7 locais próximos ao aeroporto, onde também são feitos esses rituais. As oferendas são variadas: frutas, bebidas alcoólicas, sangue e galinhas, muitas galinhas. Tudo deixado ao ar livre e se decompondo – um prato cheio para os urubus, atraídos pelo banquete diário.

O autônomo João de Souza confirma que, no local, se joga de tudo, após as oferendas: gato, porco, cachorro etc.

Os moradores de condomínios próximos vivem preocupados. Um deles, que prefere não ter o nome revelado, para evitar retaliações, afirma que já presenciou o choque de urubus com a turbina de aviões. Segundo ele, o último no domingo passado. “Por volta das 11h15. eu estava em casa. Frequentemente os aviões passam aqui por cima e ouvimos um barulho de avião, um pouco estranho, incomum!”

O Centro Regional de Investigação e Prevenção a Acidentes (Ceripa), confirmou o incidente ocorrido com um avião da TAM, no último dia 25 de janeiro. Mas não foi o único. De acordo com o Ceripa, foram 42 ocorrências semelhantes, em 2013. Os dados de 2014 ainda não foram computados.

Segundo o chefe do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa), Tenente Coronel aviador Alexandre do Carmo, os números podem ser maiores, já que muitas companhias deixam de reportar os incidentes.

Questionado sobre a possibilidade das oferendas contribuírem para a ocorrência de incidentes aeronáuticos, o chefe do Seripa foi enfático. “Na nossa área, nós temos um tipo de urubu que não é da espécie urbana e que também se alimenta desse tipo de carniça. Passa a ser um foco atrativo se as pessoas deixam no local os dejetos resultantes daquela atividade!”

Conforme a legislação aeronáutica, a obrigação pela fiscalização, num rádio de 20 km da pista do aeroporto, é da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), mas isso não acontece no Eduardo Gomes. Do local onde são realizados os rituais, até o portão que dá acesso à pista, a comprovação da realização dos rituais são os restos de animais por toda parte.

Uma das lideranças das religiões de matrizes africanas, pai Alberto Jorge, disse que as oferendas realizadas com sacrifício de animais são uma tradição. “A tradição manda enterrar tudo o que é utilizado, mas existem pessoas que mantém uma ritualística mais primitiva e levam para as encruzilhadas, matas, praias e outros locais, partes dessas oferendas. Há também aqueles que se dizem da religiosidade e que fazem determinados absurdos como colocar um bode inteiro, … em suma, fazem ‘cambalacho’ para impressionar as pessoas e ficam fazendo essas coisas!”

O repórter Fábio Melo também tentou falar com a direção da Infraero sobre o assunto, mas foi informado que não seria possível.

Você também pode acompanhar a reportagem em áudio e vídeo, acessando o link https://youtu.be/pWeTFW9XEa4

 

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