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Pesquisa aponta o crescente número de índios que migram para Manaus e investe nos estudos

A pesquisadora aponta que aproximadamente 150 índios migram, anualmente, para prestarem vestibular.

O Dia do Índio é comemorado há 73 anos, no dia 19 de abril. No Amazonas, indígenas têm saído de suas tribos e vindo para a capital para buscar aprimoramento profissional e emprego.

A pesquisadora de povos indígenas Joelma Monteiro de Carvalho, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontou em seu estudo, que cerca de cento e cinquenta índios migram para Manaus, anualmente, para concorrer ao vestibular da instituição.

“Eu me considero uma índia moderna, uso celular e assisto tevê. Quando eu vim para Manaus,  tinha o sonho de adquirir todo o conhecimento necessário e aplicar na minha comunidade, porque muitas crianças ainda estudam com o auxílio de lamparinas”, disse Michelly Gomes Castilho, 31, da etnia Kokama. Hoje, ela trabalha em casa de família e estuda Pedagogia.

Perpetua Suni, de 43 anos, também sonhou e conseguiu sair de sua aldeia para adquirir mais conhecimento. “Quando tinha 17 anos, senti o desejo de morar em Manaus, porque queria estudar e também porque morava no interior, na mata mesmo. Quando falei para os meus pais e para o meu cacique, eles não receberam tudo isso muito bem. Logo, precisei passar por cima da opinião deles. Mas quando cheguei à cidade grande, tudo foi recompensado, porque fiz o Ensino Médio, passei no vestibular, me formei no curso de Biblioteconomia e realizei uma especialização”, contou Perpetua, que também é da etnia Kokama.

Já Pedro Hamaw, 42, vive uma realidade diferente. O indígena Sataré não pensa em deixar sua aldeia, mas sim continuar vindo a Manaus, toda semana, para concluir o Ensino Médio, na Fundação Nacional do Índio (Funai), na capital. De acordo com ele, as dificuldades culturais ainda são grandes.

Para Hamaw, a sociedade precisa de mais conhecimento e informações sobre o que é ser indígena.

“Com a popularização do Ensino Superior através do Programa Universidade Para Todos (ProUni), houve um aumento crescente do número de indígenas interessados em estudar. E cada vez mais jovens”, afirma a pesquisadora. Além deste tipo de curso, a conclusão do Ensino Médio é outro fator relacionado à educação que alavanca a vinda de indígenas para a capital do Estado, reforça Carvalho.

Homenagem

Nesta terça-feira (19), trinta professores indígenas, convocados  no Processo Seletivo Simplificado (PPS) tomaram posse de seus cargos, às 10h30, no auditório da Secretaria Municipal de Educação (Semed), zona Centro-Sul.  Os novos educadores atuarão nas quatro escolas indígenas e em dezoito Espaços Culturais, atendidos pela rede municipal de ensino.

A cerimônia aconteceu durante a ‘2ª Exposição de Educação Escolar Indígena: Saberes, Culturas, Artes e Tradições’, realizada pela Gerência de Educação Escolar Indígena da secretaria, que marcará as comemorações do Dia do Índio.

Em comemoração à data, às 9h, a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) realizou uma ação social junto aos indígenas no Centro Social da Comunidade Parque das Nações Indígenas, na Rua Beija-Flor Vermelho, s/nº, no bairro Tarumã, zona Oeste.

 

Fonte: Portal do Movimento Popular

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