Uma operação conjunta da Receita Federal do Brasil e Polícia Federal no Amazonas (PF-AM) deflagrada nesta quinta-feira (3), cumpriu 17 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão em empresas e residências de suspeitos, além de 03 coercitivas, em Manaus. Participam da “Operação Construcrime” 20 servidores da Receita Federal e 137 policiais federais.
O objetivo foi desarticular um grupo especializado na utilização de empresas de fachada para obter financiamentos em instituições financeiras, na capital do Estado, especialmente na Caixa Econômica Federal.
De acordo com a coordenação da operação, as investigações tiveram início a partir da identificação, pela Caixa, de um grupo de empresas inadimplentes em diversas operações de crédito.
Com o avanço das investigações, ficou evidenciada a utilização intensiva de empresas de fachada para obtenção de financiamentos junto a instituições financeiras. A organização investigada fazia uso de documentação falsa ou
fraudada, como carteiras de identidade, CPF, contratos sociais, balancetes, declarações de imposto de renda e notas fiscais frias. Para compor o quadro societário das empresas, eram utilizados “laranjas”, indivíduos que sequer existiam e até falecidos.
Após o crédito dos financiamentos, parte dos valores era sacada e outra era transferida para empresas do grupo, para posterior utilização. Foi detectado, ainda, nos últimos financiamentos concedidos às empresas envolvidas, que
parcela dos recursos era utilizada para quitar verbas em atraso dos primeiros empréstimos concedidos, visando dissimular a inadimplência e gerando uma espécie de “pirâmide” que ruiu com a detecção do esquema
fraudulento.
Além do valor aproximado de R$ 4,8 milhões, comprovadamente desviados da Caixa, as investigações apontam que as empresas de fachada do grupo investigado movimentaram outros R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) no período compreendido entre 2013 e 2014. Os números de 2015 ainda não foram consolidados.
O principal objetivo da operação é desarticular a organização, atingindo os reais beneficiários do esquema, o qual conta com a participação de empresários, contadores, despachantes e outros servidores públicos.
O nome da operação remete ao fato de a atividade declarada pela maioria das
empresas envolvidas ser a de comércio de material de construção.

