
Foto: G1/AM
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Ordem dos Advogados (OAB/AM), Ministério Público Estadual (MP/AM), Tribunal de Justiça (TJAM) e Defensoria Pública do Amazonas (DPE/AM) se uniram para criar uma comissão que deve apurar denúncias envolvendo suspeita de tráfico de órgãos de pessoas que fizeram cirurgias plásticas na Venezuela.
De acordo com as investigações, nos inúmeros casos de cirurgias plásticas realizadas diariamente, em mulheres do Amazonas e de Roraima, afirmam que elas se arriscam nas mãos de médicos sem qualificação para realizar os procedimentos. As cirurgias que ocorrem na Venezuela com preços bem abaixo dos praticados no Brasil, têm deixado mulheres mutiladas e até levado outras à morte.
Para o presidente da SBCP, Luciano Chaves, os casos são graves e devem ser tratados com mais cuidado e rigor.
“Como essas pacientes brasileiras sequeladas vão reclamar indenização junto a esses médicos? Não existe cobertura jurídica. Outra preocupação é que há pacientes brasileiras indo a óbito na Venezuela e voltam sem os órgãos com laudo de atestado de óbito do medico venezuelano”, disse Chaves.
No Amazonas, há registros de 13 mortes e mais de 100 casos de pacientes internadas com problemas pós-operatórios. A maioria sofre com necroses e aberturas de cirurgias.
A OAB/AM vai acompanhar todo o trabalho de investigação dos mais de 100 casos, que estão em apuração pela Polícia do Amazonas e de Roraima. Segundo Marco Aurélio Choy, presidente do órgão no Estado, o trabalho mais difícil de realizar é a prisão dos médicos estrangeiros, mas que é possível, se conseguir chegar aos culpados.
“A intenção é focar nas pessoas que captam as pacientes para levar até a Venezuela. Temos que responsabilizá-los. Mas queremos atuar na tanto na fase repressiva quanto preventiva, para evitar que mais pessoas sejam vítimas desses casos”, disse. Segundo Marco Aurélio, a instituição registrou procura de famílias para o obter direcionamento de como agir.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica pretende realizar mutirão de cirurgias para recuperar as mulheres que ficaram com algum tipo de sequela.
O grupo de trabalho vai convocar judicialmente, todas as pacientes que fizeram plásticas na Venezuela para que realizem exames na região abdominal, e confirmar ou não a denúncia de tráfico de órgãos.
