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30 anos de Resistência: Grito dos Excluídos e Excluídas 2024 clama pela saúde pública no Amazonas

De longe, gritos de ordem e apitaços clamavam por mudanças. De perto, faixas, cartazes e rostos pintados revelaram as diversas deficiências da saúde pública do estado Amazonas. A 30ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas levou centenas de pessoas ao Centro de Manaus para reivindicar o ‘Direito Fundamental’ pela saúde na tarde de quinta-feira (5/9), feriado estadual pela Elevação do Amazonas à Categoria de Província e data em que se comemora o dia da Amazônia. A manifestação foi promovida pelas Pastorais Sociais e Cáritas Arquidiocesana e contou com a participação de diversos movimentos sociais e grupos populares.

Xytara Apurinã, caique da comunidade Ineamãnatã Apurinã, reivindicou a principal pauta de luta dos povos originários no país, o Marco Temporal: “É inconstitucional, a gente não concorda com isso, não é não e nós não negociamos os nossos direitos. Nós somos indígenas onde nós estivermos, seja na cidade, nas nossas aldeias, e nós somos muito invisibilizados pelo poder público mas a gente continua lutando aí”, afirma a cacique da comunidade Ineamãnatã Apurinã.

Xytara Apurinã, caique da comunidade Ineamãnatã Apurinã

Às 16h30 a manifestação saiu da Praça da Saudade, seguindo pela rua Epaminondas. Em meio a caminhada, paradas eram realizadas para novos grupos expressarem suas inquietações. Dom Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus falou desses 30 anos de luta pelos direitos humanos.
“De modo geral, a luta do povo, a persistência, é para reivindicar seus direitos. Mas com todo esse avanço na democracia a gente percebe retrocesso. Nós avançamos em termos de legislação, nós avançamos em relação de políticas públicas voltadas ao atendimento da população mais vulnerável, nós avançamos nas leis e nas áreas de proteção ambiental, mas nós não avançamos no atendimento da nossa população, nós não avançamos na qualidade do serviço, nós temos o sucateamento na área da saúde, nós temos uma tendência a privatização dos serviços básicos e fundamentais que são garantias constitucionais e nós temos muitos sinais de morte. A gente comemora 30 anos de luta do Grito dos Excluídos, mas ao mesmo tempo não deveria mais existir o ‘Grito’ se de fato os direitos fossem respeitados”, explicou Dom Hudson Ribeiro.

Dom Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus

Ao chegar na Praça da Matriz, o ato foi marcado por apresentações dos grupos que estenderam a faixa ‘14 mil mortes AM- Covid’, onde acenderam velas em homenagem às vítimas do período da pandemia. E no encerramento, grupos indígenas apresentaram suas tradições culturais por meio de música e dança.

Abaixo-assinado

Com o objetivo de solicitar providências urgentes quanto ao descaso com a Saúde Pública em nossa região pela falta de recursos e a qualidade dos serviços oferecidos à população, a petição (Abaixo assinado) apela para que haja melhores investimentos e ações concretas. Diversas assinaturas foram recolhidas no ‘Grito’ e mesmo após o termino da manifestação, a coordenação seguiu recolhendo assinaturas nos terminais de integração em Manaus. Após a conclusão, todas vão ser entregue para os órgãos fiscalizadores do Estado.

Apoie essa mudança, sua participação é fundamental. Assine a petição para exigir melhorias urgentes na Saúde Pública pelo link: https://www.change.org/p/grito-dos-excluídos-e-excluídas-melhorias-urgentes-na-saúde-pública-do-amazonas

Grito dos Excluídos e Excluídas no Brasil

No país, dia 7 de setembro o Grito vem como tema é “Vida em primeiro lutar” e o lema “Todas as formas de vida importam. Mas quem se importa?”. A estrutura do manifesto é organizada por uma Coordenação Nacional, Secretaria Nacional, Coordenações locais e estaduais. O diferencial é a rede de articuladores e articuladoras e voluntários espalhados pelo Brasil ajudam a animar o processo de construção.

​O Grito não tem personalidade jurídica própria, não tem sede própria, nem funcionários. O trabalho é desenvolvimento em parceria, o que representa uma de suas riquezas. A Secretaria Nacional funciona na sede do SPM – Serviço Pastoral dos Migrantes. Para efeitos de prestação de contas, uma das entidades que fazem parte da coordenação nacional responde como pessoa jurídica.

Hoje compõem a Coordenação Nacional: Comissão 8 da CNBB; as Pastorais e Organismos: PO (Pastoral Operária), SPM (Serviço Pastoral dos Migrantes), PPR (Pastoral do Povo da Rua), PCR (Pastoral Carcerária), PAB (Pastoral Afro Brasileira), CPT (Comissão Pastoral da Terra), PJ (Pastoral da Juventude), PJMP (Pastoral da Juventude do Meio Popular), CB (Cáritas Brasileira), CNLB (Conselho Nacional de Leigos e Leigas do Brasil), PMM (Pastoral da Mulher Marginalizada), CPP (Conselho Pastoral dos Pescadores). Entidades: CMP (Central dos Movimentos Populares), MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), Jubileu Sul Brasil, Romaria dos Trabalhadores/as, JOC (Juventude Operária Católica), Rede Rua, Sefras (Serviço Franciscano de Assistência), CEBs, 6ª SSB (Semana Social Brasileira).

Fonte: https://www.gritodosexcluidos.com/sobre-grito-dos-excluidos-e-excluidas

Fotos: Flávia Horta – Jornalista

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