Um estudo elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que apenas em 2054 o Brasil vai conseguir universalizar o saneamento básico para todos os brasileiros. Na Região Norte, falta água encanada para mais de 47% dos municípios.
De acordo com o estudo, pouco mais da metade dos municípios da Região Norte têm água encanada e apenas 6,5% têm rede para a coleta de esgoto. O índice de tratamento do esgoto gerado na região é inferior a 15%.
Além dos problemas de acesso ao saneamento, o estudo da CNI aponta para o elevado índice de perda na distribuição de água. Em valores monetários, o desperdício e o roubo de água fazem com que de cada R$ 100 gastos para fornecer água, apenas R$ 63 sejam faturados pelas companhias de abastecimento.
A perda de água tende a ser pior na Região Norte. Mais da metade da água que é captada, 50,8% não chega aos domicíios, aponta a CNI.
De acordo com Wagner Cardoso, gerente de Infraestrutura da CNI, há um círculo vicioso que impede que todos os brasileiros tenham acesso à água encanada e ao tratamento de esgoto.
“Nós temos um sério problema de planejamento urbano e esse é um dos problemas que afetam a eficiência no saneamento também. Não é só um problema. Existe burocracia, falta de recursos, perdas, roubo de água, um planejamento muito ruim, baixa eficiência das empresas de financiamento. Quer dizer, existem um círculo vicioso que precisa ser rompido”.
Diante do contexto de epidemias de dengue, zika vírus e febre chikungunya, o gerente de Infraestrutura da CNI assinala que custa muito caro não ter saneamento básico no país, principalmente nas internações hospitalares.
