
Um caso de tuberculose é registrado a cada três horas, em média, no Amazonas. Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), foram diagnosticados 3.709 casos da doença, no Estado, em 2015, 43% a mais do que no ano anterior. Segundo a Coordenação Estadual de Controle da Tuberculose, Manaus subiu quatro posições e ocupa, atualmente, o primeiro lugar no ranking de incidência da doença entre as capitais brasileiras. O Dia Mundial de Combate à Tuberculose, foi celebrado ontem (24)
A coordenação estadual divulgou que a capital do Amazonas apresentou índice da doença de 98,3 por 100 mil habitantes, à frente de capitais como Rio Grande do Sul (88,8 por 100 mil habitantes), Pernambuco (78,3 por 100 mil habitantes) e Rio de Janeiro (66,8 por 100 mil habitantes). A incidência da doença registrada em Manaus foi mais do que o triplo da média nacional (30,9 por 100 mil habitantes).
Nos últimos dez anos, 26.918 pessoas receberam o diagnóstico de tuberculose, no Estado, segundo dados da série histórica (de 2005 a 2015), do Ministério da Saúde. O resultado do ano passado colocou o Amazonas pela terceira vez consecutiva no topo da taxa de incidência entre os Estados.
Para a coordenadora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose, vinculado à Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Marlúcia Garrido, o aumento expressivo é consequência da disponibilidade de testes rápidos na rede de saúde e o acesso à informação.
De acordo com Garrido, altos níveis de pobreza, desnutrição, alcoolismo, drogas, diabetes e também aos altos níveis de infecção por HIV integram os fatores de risco da tuberculose.
Já nos dois primeiros meses deste ano, foram notificados 411 casos e quatro mortes pela doença. Em 2015, segundo Garrido, cerca de 200 pessoas morreram vítimas da tuberculose, 40 a mais que no ano anterior. O Amazonas, segundo o MS, também ocupa o terceiro lugar no País no número de coeficiente de mortalidade (3,3 por 100 mil habitantes).
O abandono do tratamento eleva o número de infectados e de mortes pela doença. Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose, quando o tratamento é interrompido a chance de recuperação é ‘expressivamente menor’. “O tratamento mínimo é de seis meses. O paciente toma somente um medicamento por dia, mas tem que ser acompanhado rotineiramente e tomar o remédio corretamente. Caso isso não ocorra, a chance dele morrer é muito grande porque a doença se torna resistente à droga”, disse ela.
Conforme a coordenadora, de cada dez casos, seis são registrados em homens e as pessoas na faixa etária de 20 a 50 anos são as mais atingidas pela enfermidade. “Aqui no Estado, temos muitos casos em pessoas com diabetes e HIV. Qualquer tosse prolongada é motivo suficiente para investigar”, orientou.
Após o diagnóstico, segundo Garrido, todas as pessoas que moram com o paciente são avaliadas, realizam exames e, em alguns casos, são submetidas a tratamento preventivo.
Conteúdo D24AM
