Sem lenço nem documento. Foi com apenas R$ 20 no bolso, um celular e um fone de ouvido que o auxiliar de serviços gerais Geraldo Willians Martins, de 32 anos, saiu de Indaiatuba, no interior de São Paulo, rumo a Nilópolis, em junho do ano passado. O trajeto de mais de 900 km foi feito com ajuda de caronas, ônibus, mas, basicamente, a pé. Ele demorou cerca de quatro meses para chegar à Baixada Fluminense e, assim, realizar seu sonho: ser passista da Beija-Flor.

— Eu só sabia que a quadra ficava em algum lugar com nome Fluminense, no Rio. Mas corri atrás do meu sonho — orgulha-se Geraldo.

Cheio de percalços, o caminho do sambista não foi fácil. Ele dormiu em abrigos, na rua, e até pensou em desistir, quando estava em Cruzeiro.
— Um cara me deu informação errada e eu estava andando para Minas, não para o Rio. Fiquei mal e voltei para Aparecida do Norte — lembra.

A decepção passou quando no caminho ganhou carona de um padre, que deu uma bíblia de presente para Geraldo. Em Paraty, outro “milagre”. Uma senhora pagou sua passagem até o Rio.

O rapaz chegou à quadra da Azul e branco em um sábado, no dia do projeto social da agremiação. Desde então, não saiu mais. Geraldo está morando nos fundos da sede e faz bicos para diversos componentes, que o ajudam financeiramente.

Próximo sonho: conhecer a Sapucaí
Em Nilópolis desde setembro, Geraldo ainda não conheceu o Sambódromo do Rio. O passista pisará por lá pela primeira vez durante o ensaio técnico da Beija-Flor, no próximo dia 29.
— Eu já cheguei em Nilópolis sambando. Imagina quando eu for conhecer a Sapucaí? No dia do desfile, deve ser mais emocionante ainda. Vou me emocionar, com certeza — conta.
No quesito samba no pé, o paulista também manda bem. A Beija-Flor até o selecionou para participar das vinhetas exibidas na TV Globo.
— Conheci a escola vendo os desfiles. A Beija-Flor realmente abraça sua comunidade. Estou muito feliz. Vale a pena correr atrás dos nossos sonhos — diz.
Geraldo é solteiro e tem três irmãos. Todos ainda moram em Indaiatuba.
