O policial federal Newton Ishii, conhecido como o Japonês da Federal, colocou sua tornozeleira eletrônica nesta sexta-feira (10). Ele foi condenado a quatro anos, dois meses e 21 dias de prisão, por facilitar a entrada de contrabando no país, e vai cumprir a pena em regime semiaberto harmonizado. De acordo com a juíza Luciani de Lourdes Tesserolli Maronezi, a medida alternativa foi adotada devido a falta de vagas no sistema penitenciário. Ela considerou ainda que Ishii é réu primário e não cometeu crime mediante violência ou ameaça grave.
Ishii continua na Polícia Federal, com um cargo interno que não foi especificado. Ele deve estar em casa entre 23h e 5h durante a semana, e não pode sair nos fins de semana. Para sair de Curitiba e Região Metropolitana, precisa de autorização prévia da Justiça. O monitoramento vai ser realizado até 21 de outubro, quando o regime deve ser revisto.

Ele foi condenado em 2009, quando era aposentado, e por isto a Justiça não se manifestou em relação à trabalho. Depois, contudo, o Tribunal de Contas da União (TCU) considerou que a aposentadoria dele foi irregular, pela contagem de tempo de serviço.
Prisão
O “Japonês da Federal” que ganhou fama durante a Operação Lava Jato foi preso na terça-feira (7) em Curitiba, e ficou detido na Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense. Ele foi condenado pela Operação Sucuri, deflagrada em 2003, que investigava o envolvimento de 19 agentes na entrada de contrabando no país através da fronteira com o Paraguai. A defesa chegou a recorrer da condenação, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o recurso na semana passada.
A partir da Operação Sucuri, foram abertos três processos contra Newton, um na esfera criminal, outro administrativo e um terceiro por improbidade administrativa. O mandado de prisão foi expedido pela Vara de Execução Penal Justiça Federal de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná.

“Japonês bonzinho”
O policial federal foi citado durante conversa gravada entre o ex-senador Delcídio do Amaral; o filho de Nestor Cerveró, Bernardo Cerveró; e o advogado Edson Ribeiro. O diálogo foi divulgado em novembro do ano passado e levou à prisão de Delcídio.
Na conversa, o ex-senador se refere ao agente federal como “policial bonzinho”. Em seguida, Edson afirma que “o japonês” seria o carcereiro da PF responsável pelo vazamento de informações sigilosas da Operação Lava Jato para a imprensa. Minutos depois, o advogado chega a citar o nome de Newton.
Diálogos
Veja abaixo a transcrição dos trechos da gravação em que o agente é citado:
DELCÍDIO: Alguém pegou isso aí e deve ter reproduzido. Agora quem fez isso é que a gente não sabe.
EDSON: É o japonês. Se for alguém, é o japonês.
DIOGO: É o japonês bonzinho.
DELCÍDIO: O japonês bonzinho?
EDSON: É. Ele vende as informações para as revistas.
BERNARDO: É, é.
DELCÍDIO: É. Aquele cara é o cara da carceragem, ele que controla a carceragem.
BERNARDO: Sim, sim.
(…)
EDSON: Só quem pode tá passando isso, Sérgio Riera.
BERNARDO: Mas eu já cortei…
EDSON: Newton e Youssef.
DELCÍDIO: Quem que é Newton?
BERNARDO: É o japonês.
EDSON: E o Youssef, só os dois. [vozes sobrepostas] O Sérgio, porque o Sérgio traiu…
BERNARDO: Sim. Ele fez o jogo do MP, assinou. Tá..tá(…)
EDSON: Quem é que poderia levar isso pro André?
BERNARDO: Eu acho que é carcereiro. O cara dá 50 mil aí pra você.
EDSON: A gente num entende, pô!
BERNARDO: Carcereiro, Newton… os caras são muito legais.
