Além de ser obrigada a conviver com a precariedade de serviços e do isolamento de 197 comunidades que não dispõem de telefonia e internet, a sede do município de Parintins (a 390 quilômetros de Manaus) também corre o risco iminente de perder o sinal de telefonia móvel.
O alerta foi feito nesta quinta-feira (17), pelo presidente da “CPI da Telefonia”, da Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado estadual Marcos Rotta (PMDB).
Segundo Rotta, a ameaça vem da cidade vizinha de Barreirinha – mais precisamente da Comunidade de Pedras – onde está instalada uma torre da Vivo. Só que, apesar da abrigar a torre, os três mil habitantes da comunidade, que sofrem pela ausência de serviços telefônicos, não são beneficiados pelo equipamento, que, na verdade, gera sinal de telefonia para Parintins.
“Por não serem beneficiados com o sinal da torre da Vivo, os moradores da comunidade tomaram um posicionamento temeroso. Estão impedindo a manutenção da torre.”
O deputado explicou que a comunidade quer o rebaixamento do sinal da Vivo, já solicitado à operadora, mas não foi atendida. “Infelizmente, sem uma resposta da operadora, o risco torna-se cada vez mais iminente. Na última semana, inclusive, um funcionário da Vivo foi ao local, para fazer a manutenção na torre. No entanto, a comunidade se reuniu e ameaçou: ele poderia até subir, mas não iria descer. Isso porque, enquanto não for feito o rebaixamento, a manutenção estará suspensa”, informaram.
“Esse posicionamento é um sintoma de que o Interior do Amazonas já chegou ao limite do suportável em relação à má prestação de serviços telefônicos. A Vivo comete o absurdo de jogar um município contra o outro, com graves riscos para os cidadãos.”
“Tenho certeza de que o rebaixamento do sinal para a Comunidade de Pedras é viável, mas falta boa vontade à operadora”, comentou o deputado, ao ressaltar que a localidade também não dispõe dos serviços de telefonia fixa.
“CPI da Telefonia”
Na primeira etapa, a “CPI da Telefonia” percorreu 22 municípios do Interior do Estado,onde foram realizadas audiências públicas. Durante as visitas, foram coletados dados que irão subsidiar a comissão na confecção do relatório final da CPI.
A partir do próximo dia 22 de outubro, a CPI inicia a fase de oitivas. Ao todo, 25 órgãos da sociedade civil organizada, de defesa do consumidor e entidades de classe serão ouvidos.
Na avaliação de Rotta, a expectativa é de que, até 20 de novembro, o relatório final da “CPI da Telefonia” seja concluído.
