26/08/13 – Em nova crise, com outra rebelião acontecida no final de semana, no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), o titular da Secretaria de Estado da Justiça e Direitos Humanos (Sejus), delegado federal Wesley Aguiar, rebateu, nesta segunda-feira (26), que o Estado esteja ignorando a existência de informações sobre facções criminosas, nos presídios do Amazonas.
O secretário admitiu a instabilidade momentânea, mas condenou a contínua divulgação dos nomes dessas facções, pela imprensa que, segundo ele, não colabora com a normalização do sistema prisional.
“Nós temos que ser muito responsáveis, neste momento de instabilidade. Eu conclamo parte da imprensa a parar de endeusar essas facções criminosas. Essa ‘sopa de letrinhas’ em nada contribui para a normalização e estabilidade do sistema. Na verdade, um grupo de detentos do pavilhão ‘C’ exigia a transferência de mais de 35 detentos de outras unidades prisionais, e quem não aceitou essas exigência foi a Sejus, que é a autoridade máxima do sistema. Então, por conta disso,a rebelião ganhou contornos que toda a imprensa está ciente.”
De acordo com Wesley Aguiar, ele não pretende ceder às pressões das facções criminosas, nem mesmo que seja demitido do cargo.
“Eu não vou trocar a aparente paz no sistema, para ceder a pressões de facções criminosas. Nem que eu dure só um mês no cargo! Eu não vou contra meus princípios! Eu estaria fazendo um desserviço ao Estado do Amazonas.”
O secretário a conclamou a sociedade e as autoridades a se unirem em busca de uma solução para o problema. “A instabilidade continua. Acho que estamos passando por um momento muito complicado. As pessoas de bem têm que se unir, parar de endeusar essas facções criminosas, porque, se houver essa união, o Estado, com certeza, é mais forte!”
Wesley Aguiar destacou que as mortes na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), não foram resultantes de uma rebelião, como foi divulgado, e que não houve fugas, no último sábado.
“No domingo, não houve rebelião no Puraquequara. Na verdade, foi uma agressão que dois detentos sofreram. Eles queriam tomar familiares de outros presos como reféns. Os que foram espancados haviam sido transferidos de sábado para domingo. Então, o que houve foi uma rebelião no Ipat; essa confusão, na manhã de domingo, na UPP; os 16 agentes penitenciários liberados e não houve nenhuma fuga; o saldo de duas mortes de detentos praticadas por outros detentos, então a gente está avaliando, a partir de hoje, como o sistema vai ficar.”
De sábado para o domingo, a Sejus teve de fazer 108 transferências de presos do Ipat para outras unidades prisionais da capital.Por enquanto, além do que aconteceu no final de semana, a Sejus busca administrar a recaptura de mais de 70 detentos, dos 176 que escaparam do presídio, na última rebelião.
