Após Alexandre de Moraes minimizar papel de grupos criminosos, governo do Estado afirma que mortos em massacre eram membros do PCC ou estupradores

Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, em visita ao Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus (Divulgaçao)
Após o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ter minimizado a disputa entre facções como uma das principais causas do massacre ocorrido no último domingo, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, com 56 presos mortos, o secretário estadual de Segurança Pública, Sérgio Fontes, reafirmou que a briga entre a Família do Norte (FDN) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) explica o desencadeamento dos assassinatos cometidos.
Moraes havia dito na terça que, entre os mortos, menos da metade tinha ligação com a facção de origem paulista. Nesta quarta, Fontes rebateu dizendo que “todo mundo”, se referindo às vítimas, era “filiado” a alguma facção criminosa. “Não é procedente essa informação (do ministro). Todo mundo tem (ligação), todo mundo ali é filiado. Até porque eles foram direto nas pessoas do PCC. Tenho estupradores e PCC (como vítimas)”, disse.
Para Fontes, relativizar o poder dos grupos criminosos acaba por fortalecê-los. “A maior força dessas organizações é você não acreditar nelas. Fingir que não existe não resolve”, completou Fontes. O secretário, no entanto, não quantificou quantas das vítimas tinha atuação direta na facção. Até a noite desta quarta, 17 mortos ainda não haviam sido identificados.
