Uma ação da Secretaria da Segurança Pública (SSP-AM) e do Grupo de Ação Especial de Combate a Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE-AM), denominada Operação “Blackout”, começou a desarticular, nesta quarta-feira (07), um território do crime organizado já instalado na zona Oeste de Manaus. A operação foi deflagrada na comunidade “Cidade das Luzes”, uma invasão instalada no bairro Tarumã.
De acordo com a cúpula da SSP-AM, a invasão teria sido financiada pelo crime organizado, e era usada para esconder drogas, foragidos da justiça, a atividade de desmanche de veículos e uma série de outros crimes. Após a operação, em entrevista coletiva, na sede da Delegacia Geral (DG), com base nas investigações da Polícia Civil e do Gaeco, o secretário da Segurança, delegado federal Sérgio Fontes, explicou como surgiu a invasão.
“Organizações criminosas especializadas no tráfico de drogas junto com organizações especializadas em invasões de terras se uniram numa ideia que, apesar de muito simples, é muito eficiente: financiar um local onde possamos, de maneira segura, cometer os nossos crimes!”
Sérgio fontes disse, ainda, que ele o comandante da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM), fizeram um sobrevoo na Cidade das Luzes e constataram uma série de indicativos que confirma, inclusive, crimes ambientais. “Pudemos observar três coisas que consideramos emblemáticas: a primeira, o acesso ao rio, com um dano ambiental absurdo, numa área de proteção ambiental; a segunda, propriedades de alto valor, que não são poucas: prédios de dois andares – provavelmente que seriam supermercados – empresas já muradas com pás mecânicas e caminhões dentro, propriedades que não são de quem precisa de uma casa para morar. Você vê isso nitidamente num sobrevoo. Detecta-se pelos uns 10 imóveis que não são imóveis que deveriam estar ali!; e por fim, área grande, dentro da invasão, sem ocupação. Uma quadra, uma quadra e meia. Significa que aquela invasão tem dono. Na apreensão, constatamos vários comprovantes de que os terrenos eram vendidos; que a luz, de ‘gatos’, furtada, era cobra das pessoas, e ainda que existia uma milícia naquele local, que impunha a sua maneira de ver as coisas, sua lei e sua autoridade, mediante a força!”, afirma.
Ainda na coletiva à imprensa, realizada na Delegacia Geral (DG), após a operação, o secretário Sérgio Fontes afirmou que o Estado vai se fazer cada vez mais presente nessas áreas, em toda a cidade, a partir da área onde foi deflagrada a operação de hoje. “O Estado vai ser fazer presente e não vai permitir que esses crimes ocorrem debaixo dos seus olhos. Quando se fala ‘Estado’, se fala MP, forças de Segurança!”.
Conforme Sérgio Fontes, a pedido do MP-AM, a Justiça solicitará a perda dos imóveis, que serão vendidos. O dinheiro apurado será usado na recuperação do meio ambiente. Durante a Operação “Blackout”, uma alusão ao nome da localidade – ‘Cidade das Luzes’ -, 10 pessoas foram presas em cumprimento a mandados de prisão. Elas são acusadas de vários crimes, entre eles, de integrar uma milícia particular.

