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FMT participa de estudo inédito no mundo, sobre tratamento e cura da Tuberculose

Por que alguns pacientes respondem melhor que outros ao tratamento da Tuberculose? Por que alguns apresentam mais efeitos colaterais às medicações? Com a finalidade de buscar respostas a estas e tantas outras perguntas sobre a infecção mais letal atualmente, que mata 1,5 milhão de pessoas no mundo todos os anos, um grupo de instituições de vários países está conduzindo um estudo com pacientes e seus contatos próximos. Serão obtidas desses indivíduos amostras de sangue, urina e secreções respiratórias que serão armazenadas em biorrepositório para pesquisas sobre a doença. Entre as instituições que integram o estudo, está a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), vinculada à Secretaria Estadual de Saúde (Susam).

“No caso das instituições brasileiras envolvidas no projeto, o material coletado permanecerá guardado em condições apropriadas, no biorrepositório da Fundação José Silveira (FJS), de Salvador, na Bahia”, explica Marcelo Cordeiro, que coordena a equipe pesquisadores da FMT envolvida no projeto. Ele explica que, além do Brasil, participam do estudo multicêntrico instituições da Índia, África do Sul e Indonésia.

A versão nacional do projeto, batizada de Pesquisa Regional Prospectiva e Observacional em Tuberculose (RePORT-Brasil), envolve, além da FMT e da FJS, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/RJ) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O biorrepositório da FJS receberá o material coletado de 900 pacientes e 1.800 contactantes que estão sendo acompanhados no Amazonas, Rio de Janeiro e Bahia em um período de dois anos. “Na FMT, o estudo abrangerá 300 pacientes e 900 contatos e está sendo conduzido por um grupo de pesquisadores formado por médicos, enfermeiros, bioquímicos e biomédicos”, explicou Cordeiro. Ele destaca que as amostras coletadas no Brasil e nos demais países envolvidos no projeto serão utilizadas em estudos que indiquem, por exemplo, por que algumas pessoas próximas de pacientes em tratamento da Tuberculose adquirem a doença e outras não. Ou ainda, se há fatores genéticos que podem estar relacionados à maior ocorrência de óbitos pela doença.

Expertise

Não é a primeira vez que a FMT participa de estudos de relevância sobre a Tuberculose. A diretora-presidente da FMT, pesquisadora Graça Alecrim, destaca que a instituição coordenou, junto com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, os estudos que possibilitaram a adoção, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), do teste rápido molecular de diagnóstico de Tuberculose – o GeneXpert. A nova tecnologia entrou para a rotina do sistema público de saúde em 2014. “A participação da FMT naquele estudo certamente nos inseriu no cenário nacional e internacional como instituição capaz de conduzir e coordenar pesquisas de ponta em Tuberculose”, disse Graça Alecrim.

A pesquisa sobre o teste rápido da Tuberculose – o primeiro estudo multicêntrico do qual a FMT participou nesta área – teve financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates. No caso do estudo atual, os recursos são oriundos do NHI (sigla em inglês dos Institutos Nacionais de Saúde, organização norte-americana sem fins lucrativos e maior fonte de financiamento para pesquisas na área médica em todo o mundo).

“É muito gratificante para nosso corpo de pesquisadores contribuir com estudos que possam subsidiar o desenvolvimento de novos medicamentos, o estabelecimento de novos protocolos de atendimento ou a adoção de novas tecnologias para a área da Assistência. Tem sido assim, ao longo de mais de 40 anos de história da instituição, com contribuições importantes, por exemplo, no diagnóstico e tratamento de doenças como a Malária e as Hepatites virais, entre outras patologias de grande relevância epidemiológica para o País”, destacou Graça Alecrim.

Indicadores

Segundo dados da Coordenação Estadual de Controle da Tuberculose, no Amazonas, foram registrados 3.709 casos da doença em 2015. Nos dois primeiros meses deste ano, foram notificados 411 casos. Estes números ainda estão sujeitos a alteração. O Amazonas está entre os estados brasileiros com a maior taxa de incidência desta doença infecciosa e transmissível.

A coordenadora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose, Marlúcia Garrido, afirma que um trabalho importante que vem sendo feito para mudar esse quadro epidemiológico é a ampliação e o fortalecimento da rede de diagnóstico da doença. “Temos a baciloscopia – que é o exame básico para o diagnóstico da infecção – na quase totalidade dos nossos municípios e estamos aumentando, também, os laboratórios regionais, que ofertam o exame de cultura. No ano passado, os municípios de Autazes, Tefé e Eirunepé passaram a integrar essa rede. Naquelas regiões em que percebemos que há maior fragilidade no sistema de notificação dos novos casos da doença, temos reforçado a estratégia de inquérito epidemiológico”, explica Garrido.

Um indicador importante, segundo a coordenadora, é que 32 dos 62 municípios amazonenses fecharam o ano de 2015 com uma taxa de cura acima dos 85% recomendados pelo Ministério da Saúde. “Isso é muito importante, porque revela que, nesses municípios, os pacientes concluíram com êxito o seu tratamento. E sabemos que a taxa de abandono do tratamento é um dos grandes desafios do controle da Tuberculose em todo o País”, ressalta a coordenadora.

Sinais de alerta

As pessoas que apresentam tosse há mais de 2 semanas, associadas ou não a outros sintomas como febre, falta de apetite, perda de peso, dor no peito ou nas costas, fraqueza e suor noturno, devem procurar a unidade de saúde mais próxima de sua residência, para receber orientação de como e onde fazer a coleta adequada do escarro para exame para diagnóstico da Tuberculose. Todas as Unidades Básicas de Saúde da Prefeitura podem solicitar o exame. O material será encaminhado para análise no laboratório de referência da área de abrangência da unidade. Tanto o diagnóstico quanto o tratamento da Tuberculose são disponibilizados gratuitamente na rede pública de Saúde.

Seminário

Nesta quarta-feira (23), o Comitê Estadual de Tuberculose do Amazonas realiza o seminário “Sociedade Civil e Governo em Ação para o Controle da Tuberculose”, em alusão ao Dia Mundial de Combate à Tuberculose (24 de Março). O evento acontece das 8h30 às 12h, no auditório do CETI Gilberto Mestrinho (av. Lourenço Braga, s/n, Manaus Moderna). A presidente do Comitê, Irineide Assumpção Antunes, explica que a programação do evento incluirá a participação de representantes dos programas estadual e municipal de controle da doença, representantes da sociedade civil e de outras instituições ligadas ao combate à doença.

 

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