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Escritora amazonense lança obra que reúne contos de mistério e erostimo

Em Contos que não mais contarei, a escritora amazonense Cacilda Barboza compartilha com os leitores o grotesco e o erótico. Apresenta um erotismo que emerge em terras amazônicas e um grotesco que impõe sua sedução. “Seus textos lembram escritores e artistas plásticos do talante de Bataille, do Marquês de Sade, do poeta contemporâneo português Emílio-Nelson; remete-nos para Os caprichos de Goya e para O êxtase de Santa Teresa, assim como para as obras de Francis Bacon e de A origem do mundo, de Coubert”, afirma Neiza Teixeira na apresentação da obra. O lançamento acontece no dia 25 de julho, no Sesc Centro, situado na rua Henrique Martins, 427,  no Centro de Manaus, a partir das 19h, com entrada livre.

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Nos textos, destacam-se fatos acontecidos nos seringais e nos beiradões de rios, por exemplo, a história “Rita serpente”: À noite, quando todos dormiam e a lamparina deixava que a fumaça negra fizesse desenhos loucos rumo ao teto de palha, Rita esperava. Certa de que ninguém a veria, tirava de dentro da caixa, a cobra. Abrindo sua camisola de algodão cru, colocava a cobra sobre seu corpo nu. Esta se arrastava pelo pescoço de Rita, enfiava a cabeça entre os lábios da moça como a lhe beber um pouco de luz e da vida de sua alma. Descia vagarosa e se enroscava entre os seios dourados.

E assim, nos dez contos que compõem a obra, Cacilda narra com propriedade o que poderia ser apenas alguns “causos”. A maior parte das histórias foi contada à autora pelo irmão Raimundo e ela as transformou em literatura. “É uma obra que se impõe pela força e verdade das histórias que a compõem. Sobretudo pelo muito que revelam do ser humano e de sua relação com o universo amazônico”, afirma Tenório Telles.

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