O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), afirmou, nesta quarta-feira (07), que não está pensando em reeleição. Em entrevista à Tiradentes News/Rádio Estadão, o prefeito se manifestou sobre a Ação de Impugnação de Mandato Eletivo, proposta pelo partido dele contra a presidente Dilma Rousseff (PT) e o vice-presidente Michel Temer (PMDB), chapa vencedora da eleição do ano passado, para a Presidência da República.
Indagado por Ronaldo Tiradentes sobre se a atual é a pior crise política que ele já viu, Artur afirmou que não. “Eu diria que a pior crise política foi a de (19)64. Esta crise é contornável! A crise econômica é a mais grave dos últimos 25 anos. É muito grave, extremamente grave, desde aquela queda de cinco pontos, no Produto Interno Bruto (PIB) do governo Collor, que não aconteceu nada tão forte quanto essa queda de três por cento do PIB, perspectiva de queda, no ano que vem, agravada por uma crise social que é ‘puxada’ pela econômica, a ainda de todos esses dois quadros, por uma crise política que divide o Brasil. Governando como governo e com a idade que tenho, eu não sou de jogas gasolina para apagar o fogo. Eu não trabalho assim! E tudo isso, levando a um ‘psicológico’ muito ruim, na sociedade. Quem pode investir não investe; o povo começa a ter dúvidas, porque não vê um a saída para a crise, uma liderança que o conduza. E quem deveria conduzir nessa saída seria a presidente da república, que visivelmente está impossibilidade de fazê-lo. É uma coisa grave! Se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu assim, deve encontrar razões jurídicas para isso!”
O prefeito, que é diplomada e, como administrador, também possui uma visão privilegiada da economia, também lembrou do imbróglio que envolve Dilma nas chamadas ‘pedaladas fiscais’. “Tem ainda a questão do TCU (Tribunal de Contas da União). É muito complicado! Fico preocupado porque tudo isso só faz o Brasil ficar mais perto da perda de outros graus de investimento e mais queda na taxa de investimentos, neste ano e no outro, o que agrava a situação do desemprego e a situação do quadro social. O que eu queria é que aparecesse alguém – não seu se a presidente teria meios para fazer isso, mas se fizesse seria bom – alguém que tivesse os meios de fazer uma proposta que a nação acreditasse, de saída para essa crise, de modo que se chagasse às eleições de 2018 com um país regular economicamente e psicologicamente melhor! Mas é muito grave, o quadro! É muito grave e eu não sei no que vai dar, até porque, essa do TSE mexe com a chapa inteira. Derruba os dois! É muito complicado!”
O prefeito, que é candidato natural à reeleição e admitiu que acompanha as pesquisas, evitou falar sobre a provável candidatura, em 2016, e acusou o ministro Eduardo Braga (PMDB) de articular uma antecipação do processo, mas, nas entrelinhas, revelou o desejo de continuar prefeito.
“Eu estou vendo pessoas que, lamentavelmente, antecipam esse processo e, por trás disso, sem dúvida nenhuma está o ministro Eduardo Braga. Ele manipula certos ‘bonecos’, enfim, e isso não me preocupa nem um pouco!”
Para o prefeito, o ministro é o principal responsável pelo ‘freio’ de recurso federais para a capital. “Ele não deixa virem recursos, atrapalha a vinda de recursos para Manaus. É uma figura que não consegue trabalhar sem ódio no coração. Trabalha apenas com a visão de chegar ao poder, e o poder pelo poder, e eu lamento muito essa forma de ser! O que gostariam? De encontrar um governo esfacelado, sem obras, parado, estático, mas estão encontrado um governo dinâmico, que está indo para o seu terceiro ano de mandato e, com uma crise dessas, talvez seja a única prefeitura de capital de pé, fazendo obras, um prefeito que se submete ao crivo popular todos os dias!”
Sem revelar os resultados, o prefeito afirmou que não está preocupado com as pesquisas que recebe. “Eu recebo pesquisas mas nem preciso delas, porque ando no meio do povo todos os dias. Entro nas casas para tomar uma água, para ir ao banheiro. Eu nem falo em reeleição! Se você perguntar o que me atrai mais, hoje em dia – o parlamento, onde eu tive um papel bastante construtivo, e a administração da prefeitura -, eu te digo que eu me sinto mais feliz fazendo coisas pelas pessoas. Me sinto mais feliz aqui!”
Arthur Neto, que exerce o segundo mandato à frente da Prefeitura de Manaus, é uma das principais lideranças nacionais do PSDB.

