– (fotos: Andrea Vieira) – O Governo Amazonino Mendes tenta administrar hoje, cerca de 476 contratos sem orçamento, no valor de R$ 394 milhões; contratos não analisados de R$ 178 milhões; contratos não renovados de R$ 575 milhões ainda a serem pagos, e restos a pagar de anos anteriores, de R$ 87 milhões, num total de R$ 1,2 bilhões.
Os números foram confirmados nesta sexta-feira (13) à Rede Tiradentes, na primeira entrevista, após a posse, pelo novo secretário da Saúde do Amazonas, médico Francisco Deodato.
Em entrevista exclusiva a Ronaldo Tiradentes, o secretário se defendeu sobre supostas declarações sobre um rombo ou desvio dos recursos do setor. Negando as supostas declarações, Francisco Deodato afirmou que nunca mencionou nenhum nome, inclusive o do ex-governador interino David Almeida (PSD), que teria ficado irritado com a informação.

O secretário afirmou, ainda, que não diria inverdades e que não cabe a ele fazer declarações políticas, mas confirmou que há, sim, um grave déficit na Saúde do Estado.
Disse também, que as mais afetadas são as cooperativas médicas e outros prestadores de serviços ao governo. Segundo Deodato, uma comissão da Superintendência da Saúde (Susam) está analisando os contratos e ouvindo os responsáveis, para poder fechar o ano.
O secretário, que passou o feriado do dia da Padroeira do Brasil discutindo a situação da Fundação Centro de Controle de Oncologia (Fundação Cecom), disse ainda que já foi ao Ministério Público (MP) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) dizer que a Susam não pode suspender os serviços em vigência, mesmo os sem contratos, e informou que, quando forem identificados, serão tomadas as devidas providências. O objetivo, disse, é resguardar a nova administração.

Segundo Deodato, numa visita ao Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto – que ele define como “o coração da urgência” em Manaus – foram identificados 12 ambientes sem ar-condicionado e uma situação administrativa crítica, por causa da falta de pagamentos dos serviços prestados. Ele prometeu resolver o problema da refrigeração até este sábado (14).
Segundo Deodato, os mais afetados são os fornecedores de alimentação, limpeza e manutenção, que estão com pagamentos atrasados há 7 meses. O secretário garantiu que, ainda hoje, tem um encontro com o secretário da Fazenda, Alfredo Paes, para começar a resolver o problema.
Falando sobre as cooperativas médicas, Deodato defendeu uma revisão dos contratos e um novo modelo de cooperativa. O secretário confirmou uma dívida de R$ 200 milhões com os prestadores de serviços, situação, que, garantiu, deve ser resolvida a partir da próxima terça-feira (17).
Outro problema grave identificado numa das visitas às unidades de saúde foi a máquina de Hemodinâmica quebrada no Hospital do Coração Francisca Mendes, onde 20 pessoas aguardam o procedimento de cateterismo. Segundo Deodato, um acordo entre a Susam e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), vai permitir o consertos das máquinas quebradas do setor de saúde do Estado por estudantes dos cursos da UFAM. A providência garantirá o uso de máquinas recondicionadas e uma máquina nova deverá melhorar o atendimento em até 250%, segundo o gestor.
O secretário defendeu a total reorganização e o modelo de Recursos Humanos de Saúde do Estado, e uma padronização da rotina de atendimento ao público. “Temos de melhorar as condições de trabalho de todos, desde os servidores ao público!”
Ele também disse que já pediu à Procuradoria Geral do Estado (PGE) que designe um Procurador que possa acompanhar a situação as Susam.
Finalizando, procurou tranqüilizar os fornecedores, garantiu o constante diálogo com todos os prestadores de serviços, para fazer os pagamentos com respeito à legalidade e dentro de uma programação, objetivando “iniciar o exercício de 2018 com tudo organizado”. O secretário reafirmou a confiança do governo na “grande máquina” que é representada pelos servidores da Susam.
