
O deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) é o o principal articulador político e beneficiário de um esquema que desviou R4 12, 4 milhões, dinheiro de aposentados e pensionistas no Amazonas. A informação foi publicada pelo Site AM1.
A conclusão é da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS, segundo o AM1. Além do parlamentar do Amazonas, o documento também pede o indiciamento de outras 216 pessoas e recomenda a cassação da filha dele, Milena Câmara.
Silas Câmara se defendeu por meio de Nota. Confira:

(Foto: Vinicius Loures /Câmara dos Deputados)
Manaus (AM) – O relatório final da CPMI do INSS, apresentado nesta sexta-feira (27), reduz mais de 4 mil páginas a uma conclusão central: o deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) é apontado como o principal articulador político e beneficiário de um esquema que retirou dinheiro de aposentados e pensionistas no Amazonas.
O documento pede o indiciamento de 216 pessoas, incluindo o parlamentar e sua filha, Milena Ramos Câmara, e recomenda a cassação do mandato ao Conselho de Ética da Câmara.
O mecanismo: simples, repetitivo e lucrativo
Segundo a investigação, o esquema operava por meio da Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA), que inseria descontos associativos sem autorização nos benefícios do INSS.
Foram 40.054 atingidos no estado, inclusive pessoas já falecidas. O valor mensal retirado, entre R$ 40 e R$ 80 dificilmente chamava atenção individualmente, mas, somado, gerou um desvio estimado em R$ 12,4 milhões entre 2024 e 2026.
A escolha das vítimas também não parece acidental: idosos, muitos analfabetos e em áreas isoladas, com baixa capacidade de identificar ou contestar descontos indevidos.
O caminho do dinheiro leva à família
A CPMI descreve uma triangulação financeira com roteiro definido:
- Benefícios do INSS → CBPA
- CBPA → empresas de fachada
- Empresas → escritório de advocacia de Milena Câmara
O escritório da filha do deputado recebeu R$ 868 mil. Segundo o relatório, não há comprovação de serviços que justifiquem os pagamentos. A movimentação financeira envolvendo a esposa do parlamentar, deputada Antônia Luciléia, também entrou no radar da investigação.
Silas Câmara no centro
O relatório sustenta que Silas Câmara não apenas orbitava o esquema, ele operava seu funcionamento político.
De acordo com a CPMI, o deputado utilizava sua influência em Brasília para reverter bloqueios do INSS sempre que o órgão identificava irregularidades nos descontos. As liberações coincidiriam com movimentações financeiras em direção a pessoas do seu entorno.
Na prática, o que o relatório descreve é um sistema com dois pilares:
dinheiro pulverizado na base e influência concentrada no topo.
À imprensa Silas Câmara negou as acusações. Afirmou não ter ligação com o esquema, diz que apresentou documentação e classifica o caso como perseguição política.
O que vem agora
O relatório pede:
- Indiciamento por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa
- Bloqueio de bens dos envolvidos
- Ressarcimento das vítimas
- Mudanças na legislação para controlar descontos em benefícios
No papel, o esquema é detalhado, rastreável e numerado. Fora dele, resta saber se as conclusões terão o mesmo alcance que o mecanismo descrito que, segundo a CPMI, funcionou por anos sem grandes obstáculos.
Defesa
Em nota publicada nas redes sociais, a defesa do deputado afirma que ele não foi indiciado pela CPMI e que não há, no relatório, imputação direta de prática de crime contra ele.
“O relatório não atribui ao parlamentar qualquer participação em irregularidades, limitando-se a referências genéricas e sem demonstração de responsabilidade ou envolvimento direto. Não há, no documento, comprovação de recebimento de valores pelo deputado, nem elementos que estabeleçam vínculo jurídico entre sua atuação e as irregularidades apuradas”, diz um trecho da nota.
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