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CPI: Emanuela Medrades nega oferta da Covaxin a 10 dólares

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva da diretora técnica da Precisa Medicamentos, empresa que representa a Bharat Biotech no Brasil e que teria feito intermediação nas negociações para compra da vacina Covaxin.
O depoimento da diretora-executiva à CPI da Pandemia foi adiado para hoje (14) após a depoente afirmar estar “exausta” e sem condições psicológicas de falar à comissão na noite desta terça-feira (13). A depoente ainda está suportada por um habeas corpus que lhe dá o direito de silenciar sobre perguntas que possam incriminá-la.
Mesa:
advogado da depoente, Pedro Ivo Velloso;
advogado da depoente, Ticiano Figueiredo;
diretora técnica da Precisa Medicamentos, Emanuela Batista de Souza Medrades;
presidente da CPIPANDEMIA, senador Omar Aziz (PSD-AM);
relator da CPIPANDEMIA, senador Renan Calheiros (MDB-AL).
Foto: Pedro França/Agência Senado

Após exibição de vídeo em que participa de audiência no Senado, a diretora da Precisa, Emanuela Medrades negou que a primeira invoice da negociação com a Covaxin chegou ao Ministério da Saúde em 18 de março. A data foi informada pelo consultor do Ministério da Saúde William Amorim Santana durante depoimento na CPI.

— Eu não fui detalhista no vídeo. Provei e provo mais uma vez que essa invoice só foi enviada no dia 22 [de março]. Desafio William Amorim e Luis Ricardo Miranda a provarem que receberam dia 18, porque eles não vão conseguir. Estou disposta inclusive a fazer uma acareação.

A pedido da diretora da Precisa, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), deu cinco minutos de intervalo. Senadores discutiam possibilidade de acareação entre Emanuela Medrades e o consultor técnico do Ministério da Saúde William Santana.

Diretora nega oferta de Covaxin a US$ 10

Questionada por vários senadores, Emanuela Medrades negou que tenha sido ofertada Covaxin ao custo de U$ 10 pela Precisa ou pela Bharat Biotech ao Ministério da Saúde. Ela desmentiu parte de ata de reunião, cedida pelo ministério à CPI, dando conta de que a vacina teria esse custo. A depoente afirmou que sempre negociou o produto a um custo mais barato para o Brasil e que, embora a Precisa tenha recebido oferta de U$ 18 dólares por dose, a empresa nem sequer repassou essa proposta ao governo. Segundo Emanuela, o preço final negociado em janeiro ficou em U$ 15 por dose, já inclusos impostos, frete e riscos relacionados.

Pazuello não participou de negociação com a Precisa, diz Emanuela

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva da diretora técnica da Precisa Medicamentos, empresa que representa a Bharat Biotech no Brasil e que teria feito intermediação nas negociações para compra da vacina Covaxin.
O depoimento da diretora-executiva à CPI da Pandemia foi adiado para hoje (14) após a depoente afirmar estar “exausta” e sem condições psicológicas de falar à comissão na noite desta terça-feira (13). A depoente ainda está suportada por um habeas corpus que lhe dá o direito de silenciar sobre perguntas que possam incriminá-la.
À mesa, em destaque, diretora técnica da Precisa Medicamentos, Emanuela Batista de Souza Medrades. Em sua fala inicial, a depoente afirma que está disposta a colaborar com a CPI.
Foto: Pedro França/Agência Senado

A diretora da Precisa informou que não participou de nenhuma reunião com Eduardo Pazuello e que o ex-ministro da Saúde não interferiu nas tratativas de assinatura de contrato com a Bharat Biotech. Emanuela disse ter tido contato com mais de 30 servidores do ministério e esclareceu que o ex-secretário-executivo Élcio Franco tinha a responsabilidade de fazer as aquisições não só da Covaxin, mas de outros imunizantes. Com Roberto Dias, ex-diretor do Departamento de Logística, ela informou que esteve reunida no fim de maio para tratar da segunda tentativa de pedido de autorização excepcional da vacina.

 

‘Quem definiu preço da vacina foi a Bharat’, afirma diretora da Precisa

A representante da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, disse que o preço de U$ 15 por dose na compra das vacinas Covaxin atende à precificação da Bharat Biotech, empresa que a produz. Em resposta a Renan Calheiros (MDB-AL), ela ainda afirmou que a precificação da Bharat é “pública”. Na pergunta, Renan havia questionado o fato de as vacinas Covaxin serem mais caras que as compradas da Pfizer e da Coronavac, que custaram U$ 10. Emanuela sustentou que a negociação com a Precisa, que intermediou a compra da Covaxin pelo Ministério da Saúde, foi mais rápida porque a empresa não pediu mudanças contratuais. Por fim, ela informou que tanto o ministério quanto a Precisa tentaram diminuir o preço das vacinas e disse que enviará à CPI os e-mails da negociação.

 

Emanuela diz que sempre foi previsto pagamento fora do país

Emanuela Medrades afirmou que todas as comunicações com o Ministério da Saúde, entre elas invoice (fatura) e contrato, previam pagamento direto à Bharat Biotech fora do país. Segundo ela, o fato de a Precisa ter sido referida no empenho não significa que o valor iriam para a empresa.

— Nós temos casos em que o emprenho é para a Precisa, mas o pagamento é lá fora. Não existe a possibilidade de receber dentro do Brasil em dólar. O empenho é destinado à representação, mas não caracteriza o pagamento, muito menos consolida que aquele pagamento vai ser feito a nós — explicou.

Ligação da Precisa com a Índia começou em 2017, afirma Emanuela

Emanuela Medrades disse que a relação entre a Precisa Medicamentos e farmacêuticas indianas começou no final de 2017. O contato específico com a empresa Bharat Biotech para a representação da vacina Covaxin teve início em junho de 2020, segundo ela.

— A Precisa já possui uma relação com o mercado farmacêutico indiano. Eu mesmo já estive na Índia em 2019, bem antes da pandemia. Os contatos [sobre a Covaxin] começaram em junho. Conforme os resultados da vacina foram evoluindo, fomos avançando junto à Bharat. Foi firmada a representação da Precisa em outubro do ano passado, mas antes disso já tínhamos uma série de trocas de informações de âmbito técnico — disse.

Bharat Biotech não tem representação jurídica no Brasil

O relator, Renan Calheiros (MDB-AL), quis saber por que o Ministério da Saúde negociou a aquisição de vacinas com a Precisa Medicamentos, ao invés de lidar diretamente com a indiana Bharat Biotech. Mencionando a Lei 8.666, de 1993, que trata de aquisições públicas, Emanuela Medrades respondeu que qualquer empresa internacional sem CNPJ no Brasil deve indicar representante legal no país.

Acompanhe ao  vivo acessando o link:

https://www12.senado.leg.br/noticias/ao-vivo/cpi-da-pandemia

 

Fonte: Agência Senado

 

 

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