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Com a vazante do rio, moradores de áreas alagadas devem ficar atentos aos riscos de doenças

O nível das águas do Rio Negro subiu 3 centímetros nesta quinta-feira (29), marcando 15,95 metros, segundo informou o chefe do Serviço Hidrológico do Porto de Manaus, engenheiro Valderino Pereira. Segundo ele,  a característica deste aumento no nível das águas é ainda do repiquete. Na semana passada, as águas do Rio Negro desceram até 40 cm por dia. Na semana seguinte, o rio teve uma descida mais discreta, com 13 cm, no domingo; 12 cm, na segunda-feira; 4 cm, na terça-feira; e 3 cm, na quarta-feira.

Depois dos problemas com a cheia, os moradores dos bairros atingidos em Manaus devem ficar atentos para os malefícios do risco de doenças normalmente associadas à vazante do rio Negro.

doenças do lixo

São diversas doenças como Leptospirose, Verminoses, doenças diarreicas, Gastrenterites, Dermatite e febre Tifoide que surgem com o lixo acumulado após a descida das águas, aumentando os riscos e posteriormente o número de casos. “São fatores que designamos como doenças de veiculação hídrica, onde os casos são comuns nesta época do ano com o período da cheia na região. Mas o agravante é justamente com a vazante, onde há maior concentração de doenças”, explicou o infectologista Antônio Magela, chefe do departamento clínico da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD). “Podemos dizer que a leptospirose é o modelo de doença mais propícia durante as enchentes e que pode até matar, e os riscos de hepatites são iminentes. A presença de animais peçonhentos nas residências é outro grande problema”, assegurou Magela.

Ainda de acordo com o infectologista, os hábitos chegam a ser culturais na cidade, pois muitas pessoas deixam suas casas durante a cheia e retornam na vazante, expondo-se à água contaminada ou ausência de higiene no local.

Qualquer contato direto com a água contaminada acaba sendo o vilão da saúde. Segundo o infectologista, algumas medidas podem ajudar, como a utilização de água sanitária tanto para higienização na casa quanto para a purificação da água, esta última com a dosagem certa do produto para eventual consumação, inclusive se houver a utilização de poços artesianos.

Outra medida paliativa é a utilização de botas e de luvas caso haja a necessidade de contato com a água poluída ou qualquer outra ação de exposição.

Tão complicado quanto às doenças nessa época do ano é a falta de colaboração da população que insiste em descartar o lixo em locais inapropriados, como os rios e igarapés na capital.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp), neste último semestre já foram retiradas 4,8 mil toneladas de resíduos sólidos dos principais igarapés de Manaus, o equivalente a 26,6 toneladas por dia.

As estatísticas apontam os casos mais críticos nos igarapés da Glória, São Raimundo, Mestre Chico, do Franco e igarapé do 40.

Para minimizar parte desses malefícios, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que regularmente disponibiliza equipes de agentes comunitários nas quatro zonas da cidade com ações de sensibilização e orientação nos domicílios.

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