
Considerado um dos mais bonitos estádios da Copa do Mundo de 2914, a Arena da Amazônia, localizada na zona Centro-Oeste de Manaus, é uma das obras que teriam sido superfaturadas, segundo delatores da Odebrecht, em depoimentos para a operação Lava Jato. Inicialmente, o estádio estava orçado em R$ 499 milhões, mas foi concluído por R$ 669,5 milhões – um aumento de 34% no valor. Em 2012, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou superfaturamento de R$ 86,5 milhões na obra.
O estádio, que teve obras coordenadas pela Andrade Gutierrez, continua em funcionamento. Desde a inauguração, a arena recebeu mais de 60 jogos oficiais, entre eles, quatro partidas da Copa do Mundo e seis da Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, além de jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol Masculino e Feminino, do Campeonato Amazonense de Futebol.
No local, também foram realizados shows de artistas da música nacional, um festival e espetáculos de artistas da música gospel, e até uma colação de grau de cursos de uma faculdade particular de Manaus.
Em três anos de funcionamento, a Arena da Amazônia arrecadou cerca de R$ 3.434.740,14, valor bem menor que o das despesas de R$ 17.640.263,76, um prejuízo de R$ 14.205.523,62, de acordo com balanços oficiais divulgados em 2014, 2015 e 2016.
Quando o estádio começou a despontar como opção para grandes jogos da Série A e B, a CBF vetou a venda de mando de campo para os clubes destas divisões – que a partir de agora, só poderão jogar em seus estados de origem.
Delação
À Justiça, o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, relatou a existência de um acordo entre a construtora e outra empresa do segmento – a Andrade Gutierrez -, para frustrar a concorrência na licitação da Arena da Amazônia, iniciada em novembro de 2010, durante o governo de Omar Aziz (PSD).
O depoimento número 9 do ex-presidente da construtora consta na petição 6.709. No depoimento, o ex-funcionárioafirma que a Andrade Gutierrez sabia que a outra empresa não tinha interesse nas obras de estádios mediante contratação pública, à exceção do Maracanã, no Rio de Janeiro.
Benedicto Barbosa afirmou ter sido procurado por um representante da Andrade Gutierrez, que pediu uma proposta de cobertura da Arena da Amazônia. O ex-diretor confirmou, ainda, ter autorizado um executivo da empresa a providenciar a apresentação da proposta de cobertura do estádio. Essa proposta teve auxílio de informações prestadas por outro colaborador da Andrade Gutierrez.
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Arena da Amazônia quando estava com a construção em andamento (Foto: Divulgação/Andrade Gutierrez)
O ministro e relator da Operação Lava Jato, Luiz Edson Fachin, apontou incompetência do Supremo Tribunal Federal (STF) para essa investigação, e encaminhou a delação de Benedicto para a Procuradoria-Geral da República no Amazonas.
Em nota, a Andrade Gutierrez informou que “segue colaborando com as investigações em curso dentro do acordo de leniência firmado pela empresa com o Ministério Público Federal e reforça seu compromisso público de esclarecer e corrigir todos os fatos irregulares ocorridos no passado”.
Procurada pelo G1, a Odebrecht também citou o acordo de leniência, e disse entender “que é de responsabilidade da Justiça a avaliação de relatos específicos feitos pelos seus executivos e ex-executivos”. “A empresa está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. Já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, (…) e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas”, finaliza o comunicado.
Valores
A construção da Arena da Amazônia ficou no lugar do Estádio Vivaldo Lima, conhecido como Vivaldão, passando a ter capacidade para 44.310 mil pessoas e uma área de 83,5 mil m². A obra foi iniciada em novembro de 2010 e inaugurada em março de 2014, após dois adiamentos.
Inicialmente, a entrega seria em junho de 2013, mas foi transferida para dezembro do mesmo ano. Entretanto, a entrega só foi feita às vésperas do mundial. Durante as obras, três funcionários morreram.
Em 2012, o valor da obra chegou a saltar de R$ 499 milhões (valor original) para R$ 615,9 milhões. No entanto, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou sobrepreço e determinou que o valor fosse reajustado para R$ 550 milhões, o que foi feito depois de alguns meses.
Porém, as parcelas do investimento do BNDES foram paralisadas até a regularização, ocorrida em setembro de 2013.
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(com informações do G1)
