Segundo testemunhas, o repórter cinematográfico Jackson Rodrigues foi preso sem motivo aparente. O tenente PM de nome Carlos Eduardo Esteves, teria dado voz de prisão ao repórter, sob o argumento de que Jackson teria ultrapassando a faixa de isolamento do cenário de um crime, ocorrido na manhã desta quinta-feira (27), no bairro Cachoeirinha, na zona Centro-Sul de Manaus.
Depois de detido, apesar de não ter resistido à prisão, o cinegrafista da Band Amazonas foi colocado no camburão de uma viatura policial.
Segundo Jackson, ele estava ajustando o foco da câmera quando foi ameaçado, agredido e preso pelo oficial da PM-AM.
As testemunhas disseram, ainda, que, ao ser preso, o cinegrafista, que sofre de hipertensão arterial, pediu para à colega repórter para pegar o remédio, mas foi impedido pelo militar.
Jackson foi encaminhado ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde o fato foi registrado.
No local, a equipe da Rede Tiradentes tentou ouvir o tenente, que já responde a dois processos no Tribunal de Justiça do Amazonas – um por desacato e outro por disparo de arma de fogo – mas o policial se negou a falar sobre o assunto.
Um dos diretores do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas, Yano Sérgio, informou que esta é a terceira vez que a PM-AM comete excessos contra profissionais da imprensa.
Ainda segundo o representante do sindicato, a entidade vai solicitar uma reunião com o governador Omar Aziz, para pedir que os direitos do jornalista sejam garantidos e que policiais não voltem a dificultar o trabalho da imprensa.
Ainda nesta quinta-feira, a Secretaria da Segurança Pública (SSP-AM) informou que a Corregedoria-Geral do Sistema irá instaurar procedimento administrativo para apurar a ocorrência envolvendo o cinegrafista da TV Band e o oficial da Polícia Militar (PM).
O comandante geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Almir David, afirmou que a corporação respeita o direito de liberdade de imprensa e que não compactua com qualquer tipo de censura ao trabalho dos profissionais de comunicação.
O comandante da PM-AM ressaltou, ainda, que os policiais militares são capacitados para seguir procedimento padrão no atendimento de ocorrências em via pública, como no caso do duplo homicídio no bairro Cachoerinha. Entre os procedimentos está o isolamento completo da cena do crime para facilitar o trabalho de investigação que deve ser feito pela Polícia Civil.
O delegado plantonista da Polícia Civil do Amazonas, Cícero Túlio, registrou no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP) dois Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCO) sobre o ocorrido. Um TCO foi assinado pelo cinegrafista Jackson Rodrigues por lesão corporal e dano ao equipamento de trabalho. O outro TCO foi assinado pelo tenente PM Carlos Eduardo Esteves Zedor por desacato de autoridade. Jackson Rodrigues foi liberado e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas divulgou a seguinte nota:
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas – SJP/AM torna público o seu repúdio à agressão covarde praticada pelo tenente da Polícia Militar do Amazonas – PMAM, CARLOS EDUARDO ESTEVES VEDOR contra o Repórter Cinematográfico, JACKSON RODRIGUES, da TV Bandeirantes, no Amazonas. A lastimável agressão veio acompanhada da arbitrariedade contra o repórter que, após ser agredido fisicamente, recebeu voz de prisão, sendo detido, de forma arbitrária, e levado em viatura policial até o 1º Distrito Interativo de Polícia – DIP.
O SJP/AM, em nome de toda a categoria, não irá calar-se diante dos desmandos e abuso de autoridade de um PM despreparado para lidar com os profissionais da Imprensa e, por extensão, com a sociedade. Solicitaremos junto a Corregedoria da Polícia Militar a apuração dos fatos para que o agressor, ao final, possa ser punido. A agressão sofrida pelo repórter cinematográfico, JACKSON RODRIGUES será comunicada à Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ e à Federação Internacional de Jornalistas – FIJ, com sede em Bruxelas, na Bélgica, a fim de que possamos inserir a agressão sofrida pelo profissional no foco das ações das entidades em defesa do livre exercício da profissão de jornalista.
O SJP/AM condena todo ato de violência que fere o pleno exercício profissional e agride a Liberdade de Imprensa. Por fim, o SJP/AM, como entidade representativa dos jornalistas no território do Amazonas, solidariza-se com o repórter fotográfico, JACKSON RODRIGUES, colocando à disposição a Assessoria Jurídica da entidade para as medidas que se fizerem necessárias.
Manaus, 27 de fevereiro de 2014.
DIRETORIA
SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS DO ESTADO DO AMAZONAS – SJP/AM



