
Confira a programação relativa à data
O Domingo de Ramos, também conhecido como Domingo da Paixão, representa o início da Semana Santa, tempo em que contemplamos os últimos momentos da vida de Jesus: a entrada de Jesus em Jerusalém, acolhido por uma multidão festiva e também a memória da sua Paixão, narrada no Evangelho proclamado. Em Manaus, o arcebispo, Cardeal Leonardo Steiner, presidiu a Missa de Ramos na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição, que iniciou na Praça da Matriz com a bênção dos ramos, leitura do Evangelho de Mateus 21,1-11, seguido da procissão onde os fiéis e a equipe litúrgica subiram a escadaria balançando os ramos e cantando “Hosana ao Filho de Davi!” até a Catedral onde todos adentraram para iniciar a missa.
Durante a Homilia, o arcebispo de Manaus explicou que a semana santa é um importante momento da fé em Cristo Jesus, tendo sua preparação iniciada na quaresma. “Viemos nos preparando no tempo da Quaresma para esse momento celebrativo, tão decisivo para a nossa fé. […] a leitura da paixão, há um grito quase desesperador. ‘Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?’ E nesse grito de Jesus, de proximidade com o Pai, ecoa o grito da humanidade abandonada em não compreender o abandono do Pai em tantas situações desesperadoras. Tantos momentos em que pensamos que Deus nos abandonou. Grito e gemido de não compreender, de não entender o porquê do abandono e do sofrer. O porquê das mortes, dos assassinatos, das guerras. E no entanto, no abandono, nós nos abandonamos como Jesus, nas mãos do Pai”, explicou Dom Leonardo.
O arcebispo destacou que Jesus entregou-se por amor, para mostrar que está ao lado dos seus. “Ele experimentou o maior abandono que os Evangelhos atestam […] Jesus experimentou o abandono total. A fim de ser em tudo, solidário também com as nossas solidões. Fez por mim, diz Papa Francisco, por ti, por todos nós, por cada um de nós. E o fez ao nos dizer, não temas, não está sozinho. Experimentei toda a tua desolação para estar sempre ao teu lado”.
Explicou que Deus quis, por meio dessa entrega total de Jesus, mostrar aos cristãos que Deus está ao lado de quem sofre, sendo consolo no auge da dor. “No auge da dor da destruição da humanidade, Jesus se faz intimidade com o pai e exclama, grita ‘não me abandones’, ‘de ti vim para ti desejo voltar, não me abandones’ e não o abandonou porque Jesus disse: tudo que eu tenho que me resta eu te dou o meu espírito’. No grito de Jesus talvez escutamos, escutemos também nós a humanidade desesperada: dor, fome, fuga, imigração, guerra, morte”, destacou.
Destacou ainda o sacrífício de Jesus Cristo, que se esvaziou de sua divindade para se tornar humano e morrer na cruz pela salvação da humanidade, entregou-se ao mistério da morte e da dor, para alcançar a vida eterna e a transformação pelo amor. “Jesus Cristo, existindo em condição humana, divina, não fez do seu ser igual a Deus uma usurpação, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo, tornando-se semelhante aos homens. Encontrado em aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte e morte de cruz. Deus o exaltou, e o nome dele está acima de todo e qualquer outro nome, e é no nome de Jesus que nos sentimos todos achegados, consolados pelo Pai nos momentos mais difíceis da nossa vida”, disse Dom Leonardo.
“Nele cremos, participamos da sua sorte, isto é, da mesma morte. Isto é da vida. Na mesma morte e na mesma sorte de sermos perpassados pelo mistério da dor e da vida que nos desperta para a vida da eternidade. Mistério da dor e da morte, no qual nos movemos todos os dias na nossa infinitude humana. Hora com intensidade. Hora até com certa suavidade, mas sempre envolto por este mistério incompreensível, mas que Jesus crucificado nos indica o horizonte, o sinal, a redenção, a salvação. Talvez esse poderia ser o caminho da nossa Semana Santa. Nos deixarmos tomar pelo mistério da morte e que leva a plenitude da vida. Esse jogo de morte no qual Deus mesmo se inseriu, experimentou para nos indicar que no amor tudo se transforma. Grandeza, não de uma piedade conformista, mas de um itinerário e caminho único de quem vê na fraqueza a possibilidade de transformação, de salvação. No abandono nos abandonamos em suas mãos, e ali, no abandono começamos uma vida nova com o Pai”, recordou o arcebispo.
Coleta da Solidariedade
“Aos que contribuiram com a Coleta da Solidariedade, é admirável como os irmãos e irmãs, nesse tempo de quaresma, souberam ir ao encontro dos mais necessitados. Admirável que, nesse tempo de conversão, irmãos e irmãs souberam fazer o caminho da conversão, da transformação do amor. Assim, a vida, a morte e a ressurreição de Jesus os atraiu, os fez caminho, os fez consolação e os transformou. Em nome de todos, a gratidão por esses gestos de proximidade, esses gestos de caridade, esses gestos transformativos de cada um dos irmãos e irmãs, isto é, da nossa Igreja”.
E finalizou o Cardeal: “Senhor das dores, nos ajude a vivenciar esta semana santa. Ele nos mostrará na dor e na morte, não o reino dos mortos, nem o reino dos mortos vivos, nem dos vivos mortos, apenas o reino dos vivos, na morte, há de nos mostrar a semana santa o convívio precioso, suave, bondoso, consolador de Jesus como pai, de cada um de nós. Entremos com Jesus em Jerusalém, nos assentemos com ele à mesa e participemos do seu caminho do calvário, participemos do mistério da morte para sermos iluminados na Vigília Pascal pela luz nova”, concluiu.
Programação da Semana Santa
De acordo com o pároco da Catedral Metropolitana de Manaus, Pe. Nelson Pereira, esta é uma das celebrações com maior participação pelo significado especial. “É o domingo que antecede a Páscoa. Essa entrada de Jesus, triunfante com a multidão, o povo, quando Jesus montou no jumento, o povo tirava as vestes e tirava os ramos ao redor e jogava na passagem de Jesus, formando um grande tapete, aclamando Jesus como nosso Salvador”, afirmou Pe. Nelson.
A programação desta semana será extensa, conforme pontuou Pe. Nelson ao final da celebração. Na quarta-feira (1/4) teremos um mutirão de confissões pela parte da manhã das 9h30 às 11h30 e a tarde das 14h30 às 16h30, para acolher todos aqueles que vêm buscar a confissão em preparação para celebrar a Páscoa. Na quinta-feira (2/4) teremos pela parte da manhã, às 9h30, a missa dos Santos Óleos, na Catedral; e às 18h teremos a celebração da ceia do Senhor. Na sexta-feira da Paixão acontece a via-sacra que sai da Catedral às 9h e a tarde a procissão do Senhor morto que sai do Santuário, às 16h, até a Catedral. Sabado acontece a Vigília Pascal, na Catedral será às 18 horas, iniciando na parte externa em torno do Fogo Novo, e domingo (5/4) tem a celebração da Páscoa.









