
O ex-deputado federal Carlos Souza falou, pela primeira vez, à imprensa, nesta quinta-feira (6/5), sobre a série da Nefflix “Bandidos na TV”, que dominou a atenção da população de Manaus e do Amazonas nos últimos dias.
O ex-parlamentar, que tem problemas de saúde e vive uma espécie de autoexílio em sua própria casa, explicou que ele e o irmão Fausto, que também teve uma participação da política do Amazonas, haviam decidido não falar nem mesmo para a produção da série, mas, procurado pelo jornalista Ronaldo Tiradentes, decidiu atender à Rede Tiradentes.

“Você não sabe o que é o sofrimento de 10 anos uma família, calada e praticamente amordaçada por 10 anos?? Momentos dificílimos! Eu com depressão três anos, sem coragem de abrir a cortina do meu quarto nem mesmo para ver a luz do sol, com tanto sofrimentos que passamos, então achamos melhor não dar depoimento”, disse, acrescentando.
“Não tinha jeito! Nenhuma família queira saber o que é a mão, o poder do sistema sobre essa família – pelo amor de Deus! – isso é a pior coisa que pode acontecer com as pessoas ou com uma família. Não tinha jeito!”
Carlos Souza afirmou que havia decidido não assistir, mas, agora, juntamente com o irmão Fausto, está assistindo várias vezes. O ex-parlamentar destacou a competência e independência da produtora no levantamento do caso, que deu a ele “forças para reagir.“
Trama diabólica
“Hoje, me encontro com forças suficientes para agradecer a Deus por essa produtora ter vindo lá do outro lado do mundo – de Londres – e fazer um trabalho investigativo que, quem assiste à série, não tem mais dúvida que tudo o que aconteceu foi uma trama diabólica, urdida para destruir politicamente uma família e que culminou com a morte do meu irmão.”
Ressentido, o ex-parlamentar diz que tudo o que aconteceu é resultado de perseguição política. “Nós fomos muito massacrados, muito bombardeados. Criaram uma novela fantasiosa pra nos destruir. Foi isso que fizeram! Hoje, graças a Deus, a população, o povo tá assistindo essa série e não tá tendo dúvida de que foi perseguição política! Muitos motivos existiram pra que fizessem isso!”
Perguntado sobre quem seria o algoz dos “irmãos coragem”, como também ficaram conhecidos os irmãos Souza, Carlos preferiu não citar nomes, mas, destacando a coragem do irmão Wallace, afirmou:

“Nós tínhamos um programa que era o de maior audiência da televisão amazonense. Batia a Globo no horário, pela sua audiência, e começou a incomodar muitos poderosos aqui no Amazonas. O Wallace, pela coragem dele, incomodou muitos poderosos. O Wallace teve a coragem de instalar a CPI de Coari, quando existia um escândalo de prostituição infantil, um desmando com o dinheiro público e o Wallace teve a coragem de instalar essa CPI. Como ele dizia pra mim e para a família, ‘eu estou sendo muito ameaçado e muito perseguido para não instalar essa CPI. Mas ele não era homem de ‘arregar’; o Wallace teve a coragem de instalar a CPI do sistema prisional, onde deu nome – de um por um – dos chefes, naquela época, que comandavam o sistema prisional e há 13/14anos, ele já alertava que as facções (criminosas) poderiam tomar conta da cidade de Manaus e, enfim, ‘crescer’ muito mais a violência; o Wallace instalou a CPI da Polícia Militar; o Wallace era um homem muito corajoso, e isso tudo incomodou os poderosos, que armaram essa trama, pra destruir não só o Wallace como a família!”
Aliados

Lembrado sobre um fato ocorrido durante um comício, em uma campanha municipal em 2008, que poderia ter deflagrado o infortúnio dos irmãos Souza, em que, no palanque, Wallace teria chamado o então governador hoje senador Eduardo Braga (MDB) de ladrão, e que, em uma entrevista à Rádio Tiradentes, Braga teria dito que “isso não vai ficar desse jeito!”, Carlos Souza, preferiu não comentar, dizendo que não lembrava do fato, mas afirmou: “Eu sei daquela época da minha importância para ganhar eleição. Eu sei o quanto nós incomodamos! O ‘outro lado’ queria que eu fosse vice da outra chapa, mas eu disse que não poderia ser (candidato) a vice, porque eu tinha 24 % de aceitação e o Amazonino tinha 26. O Amazonino me chamou e disse: “vamos formar uma chapa, porque nós vamos ganhar a eleição. E eu não quero ser prefeito de Manaus. Eu quero ser governador e você vai ser prefeito de Manaus!”, teria dito Amazonino, “que era meu sonho”, afirmou Carlos.
Perguntado sobre o ‘uso da máquina’ para perseguir a família, Carlos Souza afirmou: “Quem responde isso é a própria série! Quem assiste a essa série até o final, não tem dúvida que foi muita perseguição polícia em cima de uma família, que culminou com a morte de um cara inocente, de um coração do tamanho do Estado do Amazonas.Que houve mandantes, houve! Que houve executores, houve. A série deixa isso bem claro!”
Condenação
Inquirido sobre a possibilidade da repercussão da série da Netflix ajudar a mudar os rumos do processo em que ele o irmão Fausto Souza foram condenados a 15 anos de prisão por envolvimento com vários crimes, Carlos Souza evitou falar sobre a decisão da Justiça, mas disse que ela está nas mãos de Deus.
“Eu acredito em Deus, Existe um Deus verdadeiro e tá aí. Deus tarda, mas não falha e tudo o que está acontecendo, essa série mostrou, e eu tenho certeza de que vai mudar todos os rumos a partir de hoje! As pessoas na cidade de Manaus estão se sentindo lesadas e enganadas por 10 anos, para acreditar que um homem tenha feito matanças, determinado matar pessoas. Coisa absurda! Só a mente de uma pessoa doentia poderia fazer isso, como fez! Quem assiste à série, termina de se indignando e se revoltando!”
Indagado, sobre o título da série – Bandidos na TV – Carlos Souza afirma: “Perante Deus, não somos nós os bandidos!”

Eu acredito em uma armação das duas facção pra tirar o Wallace da TV, já que os encarava e cara limpa, com coragem… Muito chocante!!