Depois de uma noite e madrugada de natal de revolta popular e muito tumulto, que terminou com quatro prédios públicos depredados e incendiados, os quatro policiais feridos, mas sem gravidade, em Humaitá, Interior do Amazonas, o comando da Polícia Militar do Estado (PM-AM) está enviando hoje um batalhão de homens especializados em ações contra distúrbios, para a cidade.
Os manifestantes exigiam um posicionamento das autoridades, em relação ao possível sequestro seguido de assassinato, de cinco homens, por índios da etnia Tenharim. Os homens estão desaparecidos desde o último dia 16, no quilômetro 85 da BR 230 – a rodovia Transamazônica. Pela manhã, o comandante do 4º Batalhão da PM em Humaitá, major Louzeiro, disse que, após as manifestações, a situação está sob controle. “Estamos tranquilos, agora. Hoje amanheceu um dia tranquilo. Tivemos de manter a tropa na rua, a noite toda, para haver esse equilíbrio social.”
Segundo o major Louzeiro, o foco dos protestos é contra a Fundação Nacional do Índio (Funai), acusada de proteger os índios. “O prédio da Funai foi queimado; alguns carros da Funai, que estavam na frente do prédio, foram queimados; queimaram a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e os carros, que estavam lá dentro; queimaram a Casa do índio (Casai) e um barco da Funai, que estava ancorado no porto da cidade.” O número de veículos queimados chega 16.
De acordo com o major Louzeiro, a PM teve algum apoio de órgãos federais. “Nós estávamos com 185 homens da PM-AM, atuando diretamente nesse foco, e o Exército é nosso grande parceiro, mas esse tipo de atuação não compete ao Exército. Por isso, estávamos dando todo o suporte necessário para poder trabalhar. A Polícia Federal não se encontrava no local e Polícia Rodoviária Federal (PRF) também, então complicou, porque tudo isso é jurisdição da PF. Então, a PM-AM ficou à frente desse processo e cumprimos nosso papel constitucional!”
De acordo com o comandante da PM em Humaitá, não houve mortos ou feridos com gravidade. “Não houve perda de nenhuma vida. Nenhuma vida foi ceifada, então o bem maior foi mantido, que é a vida! Entre as Forças de Segurança, apenas quatro policiais, com lesões leves. Com relação aos cidadãos, a PM foi obrigada a usar bombas de efeito moral e balas de borracha, para conter os ânimos, mas nenhum cidadão ficou ferido. Se ficou, foi devido a conflitos entre eles mesmo, porque havia divergências demais!”
Segundo o major Louzeiro, os responsáveis pelos distúrbios já estão sendo identificados. “Já estão sendo identificados e vão enfrentar os rigores da lei!”
O major Louzeiro evitou confirmar as mortes dos desaparecidos. “Não posso dar nenhuma opinião, fazer nenhum pré julgamento, porque os inquérito estão em andamento e nós só vamos nos manifestarmos após os inquéritos das investigações!”
De acordo com os números da PM-AM, cerca de cinco a sete mil pessoas participaram das manifestações, em Humaitá.
