Usar tecnologia de baixo custo para solucionar problemas sociais e do meio ambiente garantiu às estudantes Daniele Caroline da Silva e Laleska Mesquita, 18 e 17 anos, respectivamente, a participação em feiras científicas nos Estados Unidos e na Europa. As alunas cursam Engenharia de Controle e Automação, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), no Campus Manaus Distrito Industrial (CMDI).
Com o objetivo de gerar energia limpa por meio de um sistema hidráulico de baixo custo para a população ribeirinha amazonense, Daniele Caroline e Helen Cristina foram selecionadas para representar o Brasil com o projeto “Sistema Hidráulico Gerador de Energia”, na Olimpíada Gênios, que será realizada em Nova York, no mês de junho.
Um protótipo que utiliza uma bicicleta, um alternador e uma bateria, quando submerso no rio movimentará os pedais, e com isso, irá gerar energia para abastecer a casa dos moradores.
“Nas comunidades ribeirinhas mais distantes, o fornecimento de energia elétrica é feito através de um gerador movido a combustível, porém os moradores só conseguem de 4 a 8h diárias de luz elétrica. Nossa intenção é utilizar este equipamento para produzir energia limpa com suprimento elétrico de 24h”, destaca Daniele ao falar do protótipo de baixo custo e fácil manutenção.
A jovem estudante recebeu em 2013, menção honrosa com o projeto pela Humanitare Foundation, na categoria Ambiente Sustentável.
“É uma responsabilidade muito grande representar o Amazonas e o Brasil no exterior. Estamos praticando a apresentação do projeto em inglês e esperamos que nosso projeto seja premiado”, falou Daniele.
Após a fase de observação e estudo em laboratório, o protótipo será testado em São Gabriel da Cachoeira (distante 852 km de Manaus), onde os alunos do campi do IFAM no município terão a oportunidade de trocar experiências com as idealizadoras do projeto.
Alfabetizando por meio do celular
Com o objetivo de auxiliar crianças com deficiência intelectual no processo de aprendizagem, a estudante Laleska Mesquita foi premiada com o 1º lugar na categoria Engenharia para a Sociedade, com o projeto “Dispositivo de Auxílio Didático para Crianças com Deficiência Intelectual e Múltipla – TDAH e Dislexia”, durante a Feira de Ciências da Amazônia (FCA 2013).
A premiação carimbou o passaporte da jovem pesquisadora para a Conferência Internacional de Jovens Cientistas, que seria realizada em abril na Ucrânia, porém com a crise instalada no país, o evento foi adiado para 2015 em local a ser definido.
Segundo Laleska, a ideia do projeto surgiu para auxiliar os estudantes que possuem alguma deficiência no processo de aprendizagem ou distúrbio de atenção.
“Descobri que tenho dislexia e déficit de atenção, por isso quis criar algo que pudesse ajudar outras pessoas que têm as mesmas deficiências que eu. Infelizmente, muitos professores não identificam esses distúrbios nos alunos e acabam confundindo com preguiça”, disse a pesquisadora que junto com outros seis brasileiros irão apresentar suas propostas na Europa em 2015.
O aplicativo funcionará em celulares e tablets que possuam o sistema Android e será disponibilizado para download gratuito.
“Meu próximo passo é criar um teclado interativo para desenvolver a capacidade motora das crianças”, revelou.
Como funciona?
Antes de iniciar a modelagem do projeto, Laleska buscou informação com profissionais que atuam com o público-alvo do aplicativo.
“Conversei com pedagogos e fiz algumas visitas na Associação Pestalozzi para entender quais as dificuldades encontradas durante o ensino destas crianças, que chegam a demorar de 6 a 9 anos para serem alfabetizadas”, afirmou.
A interface do aplicativo é bem colorida, para prender atenção do usuário. Há um vocabulário extenso, onde é possível ouvir a pronúncia da palavra e redigi-la da forma correta. Caso o estudante não utilize a grafia correta, um sinal sonoro é emitido informando sobre o erro.
“As cores chamativas e os sons prendem mais a atenção e fazem com que a pessoa tenha mais concentração e foco na hora de ler e escrever”, destacou Laleska que hoje é modelo de exemplo e inspiração para os colegas.
Com informações da assessoria do IFAM



