RÁDIO TIRADENTES | 89,7 MHz | AO VIVO

Açúcar causa dependência similar à da cocaína, revela estudo

Pessoas viciadas em açúcar deveriam ser tratadas da mesma maneira que dependentes de drogas, revela um novo estudo. De acordo com a pesquisa, realizada por cientistas da Universidade de Queensland, na Austrália, os efeitos do açúcar no cérebro são parecidos com o mecanismo responsável pelo vício em cocaína, por exemplo.

Publicado pelo periódico ‘PLOS One’, o trabalho mostra que o consumo excessivo de açúcar eleva os níveis de dopamina no organismo de forma similar ao que acontece com a cocaína. A ingestão frequente do produto por longo período, porém, acaba levando a uma redução na produção de dopamina pelo corpo. Com isto, a pessoa sente necessidade de consumir ainda mais açúcar, para alcançar os níveis anteriores de dopamina e evitar estados de depressão. O mesmo ocorre com dependentes de cocaína, segundo a pesquisa.

A dopamina é uma substância neurotransmissora que atua, entre outras coisas, no controle da sensação de prazer. Ou seja, quando o cérebro libera dopamina, o indivíduo se sente bem.

doces

“O consumo prolongado do açúcar causa o efeito contrário na produção de dopamina, fazendo o corpo produzir menos da substância. Isto leva a pessoa a comer mais”, diz a neurocientista Selena Bartlett, da Universidade de Queensland. “Também descobrimos que, além de um risco maior de sobrepeso, animais que mantêm consumo alto de açúcar e comem compulsivamente na fase adulta enfrentam consequências neurológicas e psiquiátricas, afetando o humor e a motivação”, acrescenta ela.

Os mesmos pesquisadores descobriram, num outro estudo, que a exposiçao crônica à sacarose, também conhecida como açucar de mesa, pode causar distúrbios alimentares e alterar o comportamento.

Depois da análise dos resultados, os responsáveis pela pesquisa dizem que drogas usadas para tratar o vício em nicotina, por exempo, podem ser usadas para combater a dependência de açúcar.

Diferentes estudos já mostraram que o consumo de açúcar está diretamente ligado ao sobrepeso e ao diabetes. Um relatório recente da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostrou que o número de diabéticos no mundo aumentou em quatro vezes desde 1980.

No Brasil, uma em cada cinco pessoas consome doces cinco ou mais vezes por semana, e 7,4% da população adulta no País já foi diagnosticada com diabetes, segundo o Ministério da Saúde. Além disso, o planeta tem, atualmente, 640 milhões de pessoas obesas.

Prisão

A verdade é que o açúcar faz parte das nossas vidas desde cedo: afinal, muitos bebês começam com a papinha doce, para depois passarem à salgada. Há cinco anos, a jornalista australiana Sarah Wilson se descobriu viciada em açúcar. Não o refinado, ou o encontrado em doces e sorvetes, mas os saudáveis, como mel, chocolate amargo, frutas. Com alterações na tireoide, e transtornos de humor e de sono, ela decidiu tirar o açúcar da sua vida. E conseguiu. Sarah descreve esta transformação no livro ‘Chega de açúcar’ (Sextante), recém-lançado no Brasil e, segundo a escritora, todos nós somos prisioneiros do  açúcar.

OMS

No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou o novo guia com recomendações de consumo de açúcar para adultos e crianças. A recomendação atual é de que o consumo diário não ultrapasse 10% das calorias ingeridas diariamente, em uma dieta saudável. Maiores benefícios à saúde podem ser alcançados se o consumo diário de açúcar for reduzido para 5% das calorias ingeridas (ou cerca de 25g de açúcar por dia).

O açúcar total consumido diariamente é composto tanto pelo açúcar de mesa como pelo utilizado na preparação de refeições e os açúcares adicionados aos alimentos, refrigerantes e bebidas prontas para consumo, além do mel, xaropes e sucos de frutas com adição de açúcar. Boa parte dos açucares consumidos pela população brasileira está ‘escondido’ em alimentos ultraprocessados, como refeições prontas, temperos, sucos industrializados e refrigerantes.

O açúcar presente naturalmente nas frutas, verduras, legumes e leite fresco não devem ser computados nesta restrição. O consumo destes alimentos in natura deve ser promovido e estimulado, para toda a população, em todas as faixas etárias das pessoas.
Entre os benefícios de se controlar a ingestão diária de açúcares, estão a melhoria do controle do peso corporal, prevenção do sobrepeso e obesidade, doenças crônicas não vtransmissíveis, em especial o diabetes e a diminuição de cáries dentária, de acordo com a OMS.

Além da orientação geral de limitação do consumo diário de açúcar, em todas as fases do curso da vida, a OMS apresenta uma série de orientações classificadas como de forte impacto, se colocadas em prática, por exemplo. Estas ações podem ser adotadas como políticas públicas na maioria dos contextos, segundo especialistas da entidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *