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Delegado Paulo Martins revela: réus ficaram com medo de citar “João Branco”, durante os depoimentos do caso Oscar Cardoso, na Polícia Civil

O ex-titular da Delegacia de Homicídios e Sequestros (DEHS) e que comandou as investigações sobre o assassinato do delegado Oscar Cardoso, em Manaus, delegado da Polícia Civil do Amazonas Paulo Martins, testemunhou no início da tarde dessa sexta-feira (13/04), no Fórum Ministro Henoch Reis, no julgamento do caso Oscar Cardoso. O narcotraficante “João Branco”, condenado há mais de 30 anos, e outros três réus, são acusados de participação no crime.

Segundo Martins, os três réus – “João Branco”, Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”; Messias Maia Sodré e Diego Bruno – ficaram com medo de citar o narcotraficante líder da facção criminosa Família do Norte (FDN) durante os depoimentos deles no inquérito do caso na Polícia Civil.

Segundo Martins, “Branco” é líder da organização criminosa que domina o tráfico de drogas e os presídios do Amazonas. “Geralmente qualquer acusado, quando presta depoimento, é aconselhado pelos advogados a não citar o nome de pessoas que eles não querem acusar. Nesta organização criminosa, existe uma hierarquia. O ‘João Branco’ é o líder. Na cadeia, os presos têm um pacto – quem é alcaguete,  morre. Se eles falassem o nome dele, seriam mortos”, afirmou o delegado.

Conforme Martins, o único réu que citou o nome de “João Branco”, durante depoimento à Polícia Civil, foi Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”, condenado mo ano passado por participação no crime. “O ‘Tabatinga’, disse, durante depoimento, que ‘João Branco’ é tratado como rei dentro do presídio. Os presos servem até comida para ele”, lembrou o policial.

Paulo Martins também afirmou que tentou rastrear as ligações do telefone pessoal de “João Branco”, mas não conseguiu. Segundo ele, todas as atividades foram realizadas com auxílio da Justiça e do Ministério Público do Amazonas (MP-AM). “Tentamos rastrear o celular do ‘João Branco’, mas depois soubemos que ele não utiliza o dele próprio para fazer as ligações. Sempre pede de alguém próximo. Todas as interceptações foram aprovadas pela Justiça e MPE”, explicou.

Réus envolvidos

Questionado pela defesa dos acusados sobre a participação deles no homicídio do delegado Oscar Cardoso, Paulo Martins comentou que as investigações apontaram, sim, o envolvimento de “João Branco”, “Marcos Pará”, Diego Bruno e Messias Sodré no assassinato. “As investigações apontam a participação dos quatro na morte do delegado”, completou.

Delegado assassinado

O delegado Oscar Cardoso foi assassinado com mais de 20 tiros, no dia 9 de março de 2014, em frente à casa dele, na rua Negreiros Ferreira, bairro São Francisco, na zona Centro-Sul de Manaus. O delegado estava com o neto no colo. À época, o menino tinha 1 ano e seis meses de idade. Oscar Cardoso foi surpreendido pelos atiradores, que desceram de vários veículos e efetuaram os disparos.

 

Motivo do crime

Segundo investigações da Polícia Civil, à época, a motivação do assassinato seria um suposto envolvimento de Oscar Cardoso no sequestro e estupro da mulher do narcotraficante “João Branco”. Segundo a acusação, “João Branco” deu a ordem para matar Oscar como vingança pelo o que o delegado teria feito com a esposa dele.

 

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