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02 ago

Final feliz para Félix seria na cadeia com negão, diz Mateus Solano

DE SÃO PAULO

Mateus Solano, 32, falou ao site de “Amor à Vida” (Globo) sobre a cena em que seu personagem, Félix, foi tirado do armário na frente de toda a família pela mulher, Edith (Bárbara Paz), no capítulo de ontem.

Perguntado se ele acredita que o personagem poderia se redimir, o ator contou que isso depende do autor Walcyr Carrasco, mas deu uma ideia do que gostaria de ver acontecendo.

“Eu cheguei até a cogitar que o Félix seria preso e que encontraria um negão na cadeia que faria ele feliz, ou coisa parecida”, disse. “Mas não sei, vindo do Walcyr, tudo é possível.”

“Eu diria que é muito maleável a cabeça do autor nesse sentido, de estar sempre pescando a reação do público”, avaliou. “Sem dúvida, existe um gosto popular pelo Félix. Ele carrega a luta dos homossexuais reprimidos, que não conseguem se aceitar.”

“Como diz a Paloma [Paolla Oliveira] na cena, o mais importante é você se aceitar primeiro”, comparou. “E como o Félix é estandarte dessa luta, isso tem que ir para algum lugar positivo.”

Sobre a cena, o ator disse ainda que ficou com dor de cabeça devido à intensidade que teve de passar.

“É uma catarse, é uma redenção de alguma parte do Félix”, avaliou. “O Walcyr escreve bem demais para o Félix, principalmente nas questões gays, homossexuais.”

Félix (Mateus Solano) com sua avó Bernarda (Nathalia Thimberg)

Félix (Mateus Solano) com sua avó Bernarda (Nathalia Thimberg)

A cena com o Jacques [Julio Rocha], no restaurante japonês, foi uma que me emocionou de ler. Ele fez uma belíssima comparação entre o gosto adquirido que a gente tem pela comida japonesa, que nós ocidentais não nascemos gostando, e o gosto adquirido que o Félix tomou pela família, por ter uma mulher e um filho, que não é da natureza dele, a natureza dele é homossexual”, contou o ator. “E no final, o Félix diz: ‘Mas sinceramente, eu prefiro a comida japonesa’. É muito bonito e muito triste, mostra uma tristeza que está aí, pulsante, em tantos homossexuais, há tanto tempo na sociedade.”

“Na TV, você tem que trazer o máximo de camadas, o máximo de profundidade, o mais rápido possível”, contou. “É uma cena crucial, de meio de novela, é uma reviravolta.”

“O César [Antonio Fagundes] mostra todas as suas garras e o Félix se fragiliza absolutamente –e para o Félix se fragilizar tem que ter acontecido uma coisa muito grave, uma coisa muito importante para ele”, afirmou.

“Como é uma cena crucial, eu me exijo muito”, disse. “Não posso depender só do que vem na hora. Eu preciso me tensionar, eu preciso ter água no olho, uma série de preocupações técnicas que eu tenho no meio de uma cena em que eu não tinha que estar pensando em nada disso.”

“Você sobrecarrega as suas ferramentas de trabalho”, contou. “Confesso que saí com dor de cabeça, mas é uma ótima dor de cabeça, porque é de fazer o que eu gosto.”

 

 

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