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A INFLUÊNCIA DO JIU-JITSU, ATRAVÉS DE TÉCNICAS ADAPTADAS, NA MELHORA DA RESPOSTA INTERPESSOAL DA PESSOA PORTADORA DE AUTISMO

Por:  Renato Sobral Monteiro Junior.

 

INTRODUÇÃO

Atualmente grandes questionamentos surgem em relação ao tratamento dos autistas. Esta problemática se torna ainda mais evidente quando tentamos entender o autista no seu íntimo. A dificuldade de criar um laço afetivo ou até mesmo de um simples relacionamento é um fato marcante.

Em alguns estudos observou-se que as atividades de cunho inter e intrapessoais podem auxiliar na criação de uma relação sócio-afetiva com indivíduos autistas; (GARDNER, citado por ANTUNES, 1994).

Essa relação afetiva se dá através da comunicação interpessoal que visa entender o autista em seu interior.

Uma das principais formas de se obter uma comunicação com o autista é através do contato físico. Porém, deve haver cautela a esse tipo de aproximação, pois estes indivíduos demonstram grande hostilidade a esta ação.

Uma atividade que talvez possa facilitar a aproximação do autista com um profissional e posteriormente com outras pessoas é o Jiu-Jítsu. Esta modalidade promove forte contato físico, o que pode facilitar o diálogo corporal, porém com muita adaptação.

Em cinco anos de prática do Jiu-Jitsu e observação das aulas para grupos infantis, foi fácil perceber como esta luta poderia ser utilizada também no ambiente escolar, objetivando o desenvolvimento psicomotor.

Para entendermos melhor esta ligação entre a luta e a patologia precisamos de um conceito particular sobre cada uma, de forma a tornar possível estabelecer parâmetros sobre a relação: Jiu-Jitsu x Autismo.

O AUTISMO

Autismo é uma deficiência mental que interfere gravemente nas relações intra e interpessoais de um indivíduo.

O portador de autismo se nega a comunicar-se através de diálogo ou contato corporal. Possui uma característica anti-social, recusando a troca de olhares e o afeto. Esse comportamento inibe a comunicação interpessoal tornando restrita a convivência social. A consciência corporal e orientação espacial, assim como outras funções psicomotoras, também são afetadas pelo quadro do indivíduo autista, além de na maioria dos casos apresentarem comportamento agressivo e grande descontrole da sexualidade.

O tratamento utilizado normalmente é realizado através de sessões psicoterápicas individualmente. As respostas só são obtidas em longo prazo e após muita persistência.

O JIU-JITSU

            O Jiu-jitsu começou muitos anos atrás, na Índia, época de Buda. Os monges budistas viajavam muito e eram saqueados. Para evitar isto, eles inventaram uma forma de defesa, daí nasceu o jiu-jítsu. Jiu-jítsu ao pé da letra significa arte suave e tem três princípios básicos: a técnica, a alavanca e a base. Depois da Índia foi para a China e posteriormente para o Japão. No Japão, deu um grande salto, tornou-se conhecido como é hoje em dia. Do Japão veio para o Brasil em 1914 através do lutador Mitsuyo Maeda.

Os lutadores da tradicional família Gracie aprenderam Jiu-Jitsu com Maeda e vieram para o Rio de Janeiro montando a primeira academia brasileira de jiu-jitsu. De lá para cá o jiu-jitsu foi muito aperfeiçoado por eles. Os Gracies eram Carlos, Gastão, Helio, e outros, sempre fazendo um marketing muito agressivo desafiando todos para mostrar eficiência da arte do jiu-jítsu. Helio Gracie aperfeiçoou o jiu-jitsu de tal forma que deu condições para que uma pessoa magra pudesse lutar contra uma pessoa grande e forte, tornando-se o pai do jiu-jitsu brasileiro.

A arte propõe o forte contato físico, o respeito pelo adversário e pelos seus próprios limites, conhecimento corporal e autocontrole através de movimentos onde os oponentes iniciam a luta em pé e conseqüentemente terminam no solo.

Uma das grandes vantagens oferecidas pelo Jiu-Jitsu, principalmente no trabalho com crianças, é o desenvolvimento psicomotor. Durante a luta a pessoa é capaz de desenvolver a coordenação espaço-temporal, esquema corporal e ritmo (respiração), além de melhorar algumas valências físicas: agilidade, força, resistência.

JIU-JITSU E AUTISMO

Inicialmente vimos que o autismo requer um olhar especial no campo sócio-afetivo. Percebemos também que o Jiu-Jitsu promove o contato físico, o respeito pelo outro, autocontrole e conhecimento dos limites do próprio corpo.

A partir desta análise é possível comparar as diferenças particulares entre a luta e a patologia em questão. Tal observação pode nos possibilitar a criação de um programa que torne o Jiu-Jitsu parte de um tratamento para esses indivíduos.

Partindo dessa proposta, o passo inicial é detectar o quanto esta modalidade pode realmente auxiliar no tratamento dos autistas, possibilitando a possível criação de um protocolo e a mensuração de resultados, a fim de diagnosticar a influência do Jiu-Jítsu na resposta interpessoal desses indivíduos.

14 comentários para “A INFLUÊNCIA DO JIU-JITSU, ATRAVÉS DE TÉCNICAS ADAPTADAS, NA MELHORA DA RESPOSTA INTERPESSOAL DA PESSOA PORTADORA DE AUTISMO

  1. Adilson Nogueira disse:

    Eu tenho um filho autista ele é praticante do jiu-jitsu e
    está me supreendendo com rapido aprendizado e gostando muito
    da arte marcial. Muito bom.

  2. JIDDU disse:

    Oi sou estudante de mestrado em educacao fisica, e eu gostaria de realizar uma pesquisa com autistas. Minha pergunta ne como voces aplicam as aulas de jiu jtsu? Tipo, e individual ou em grupo? O o altista treina com alguem normal ou so com outros autistas?
    OBS: nao ligue para falta de acentos nas palavras, pois meru teclado esta com problema.

    1. Kiê Tiradentes disse:

      O ideal é dar aula em grupo com crianças “normais”. Importante saber que os autistas podem fazer tudo, mas precisam de mais demonstração, mais repetições, modelos, figuras, mostrar passo a passo, devagar. Mas conseguem sim.

      1. Maximina disse:

        Gente, não se usa esse termo “normal” ao falar de uma pessoas sem autismo pois assim você acaba desrespeitando o outro, os autistas por acaso são anormais são seres extraterrestres ?! Mais cuidado amigos, ainda mais o senhor Jiddu qie é estudante de mestrado em E.F, eu ainda estou na graduação mas já aprendi como tratar cada pessoas !

      2. Michael Jordan Rosa Alves disse:

        olá meu Nome é Michael Jordan, sou aluno do curso de Educação Física Licenciatura na Universidade Estácio/FNC, estou trabalhando no meu TCC com basicamente esse assunto, Oque o esporte Lutas trás como beneficio no desenvolvimento sócio afetivo do aluno autista?
        e me interessei muito por esse blog, gostaria de algumas informações sobre o trabalho de vocês, da vivencia que vocês podem dividir comigo e com minhas duas colegas de sala e parceiras no TCC, se possível me mande um Email para que possamos trocar ideias e conhecimento.
        desde já agradeço.
        Email: michaelalves23@outlook.com

    2. Morgana disse:

      Meu filho começou a pouco tempo em uma academia e treina com todos os alunos …. tanto o meu filho Guilherme de 7 anos quanto ao Mestre Miguel estão adorando o convivio e o treinamento…. o Gui pega facil os movimentos….

    3. Edvando disse:

      Vamos lá, respondendo a sua pergunta sobre método utilizado para ministra aula de lutas para crianças com deficiência, inicio te dizendo que é muito variante de cada caso e nível de deficiência, geralmente quando o nível de deficiência é bastante alto, o número de criança atendidas e bem reduzido, e ficará mais fácil para ser trabalhado com auxílio de outras pessoas (responsável, atletas adulto, auxiliar) e o foco do trabalho acaba sendo em ajudar no desenvolvimento de habilidades básicas apenas(andar, saltar, se arrastar, puxar, empurrar etc), onde você acaba avaliando as respostas da criança e dai criando exercícios que ajude…
      e trabalha bastante exercícios de rolamento, Ginastica, circuito simples, imobilização e fuga da imobilização, de forma lúdica….

      Quando a criança tem uma deficiência moderada ou imperceptível da para se trabalhar mais próximo das lutas padrão, sendo que terá uma velocidade de aplicação que você irá avaliar e aplicar conforme vai percebendo as respostas, usando exercícios simples, é sempre orientando é supervisionado para os cuidados com os exercícios para não machucar o seu colega de treino…. e poderá ter turmas com números maiores…

      Qualquer coisa e só enviar um E-mail: prof.edvandoalves@gmail.com

  3. Meire Camurri disse:

    Assisti à matéria e fiquei emocionada,por ver que o Jiu_Jitsu ajudou a criança .
    Meu filho é Mestre,faixa preta 5º Grau, e desde os 12 anos pratica .
    Moramos em Itápolis .SP.Meu filho,Alexandre Ricardo Mapeli,Instrutor do Jiu ,no Ginásio de Esportes da Prefeitura e Itápolis..

  4. Meire Camurri disse:

    Jiu_Jitsu é uma das artes Marciais ,mais procurada por homens,mulheres e crianças.

  5. Walter disse:

    Olá,sou professor de educação física e de jiu jitsu,nunca tinha trabalhado com autistas e de repente no mesmo dia entraram dois, dei a aula normal, tratei igual a todos,só que por falta de conhecimento, não sei se posso passar golpes de finalização pra eles, tive medo deles não controlarem a força, de se etc…., pois são hiperativos tb, vcs podem me dar uma luz sobre isso,do que é mais indicado? Desde já agradeço a atenção

  6. Muito legal essa materia!!!!

  7. Rafael do Prado Calazans disse:

    Boa tarde!!Sou Rafael Calazans,instrutor de jiu jitsu na ONG OLHAR DE BIA,gostaria de um receber um contato de vocês e uma ajuda no meu trabalho de conclusão de curso cujo tema é “O jiu jitsu brasileiro como ferramenta de inclusão social com crianças com deficiência intelectual no ambiente escolar”,são questionários adaptados,mas de grande valia.
    Parabéns pelo trabalho e por acreditarem no potencial de vossas crianças.

  8. Celimário disse:

    Bom dia,

    Gostaria de saber se já existe uma metodologia ou técnica de ensino para aplicação do jiu jtsu em crianças com autismo. Desde já agradeço a ajuda.

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